Terremoto no México foi tão forte que dividiu placa tectônica em duas

Prédios destruídos após terremoto Tehuantepec atingir o México em 2017 (Foto: Presidencia de la República Mexicana/Wikimedia Commons)
PRÉDIOS DESTRUÍDOS APÓS TERREMOTO TEHUANTEPEC ATINGIR O MÉXICO EM 2017 (FOTO: PRESIDENCIA DE LA REPÚBLICA MEXICANA/WIKIMEDIA COMMONS)

terremoto Tehuantepec, ou Puebla-Morelos, que atingiu o México em 7 de setembro de 2017 foi mais intenso do que os cientistas sabiam. Ao alcançar a magnitude 8,2, ele quebrou uma placa tectônica, conforme apontou um novo estudo publicado na revista Nature Geoscience.

“Se você pensar nisso como uma grande placa de vidro, a ruptura causou uma grande rachadura”, disse o sismólogo Diego Melgar, da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, em entrevista à National Geographic. “Todas as indicações são de que rompeu toda a largura da coisa.”

O terremoto ocorreu no Oceano Pacífico, na costa oeste mexicana. Ao longo desta área há uma fronteira tectônica entre a Placa do Cocos no oceano, e as placas da América do Norte, do Caribe e do Panamá, que compõem a massa terrestre da América Central.

Radar da NASA mostra o movimento do abalo no México (Foto: NASA/JPL-Caltech/ESA/Copernicus)
RADAR DA NASA MOSTRA O MOVIMENTO DO ABALO NO MÉXICO (FOTO: NASA/JPL-CALTECH/ESA/COPERNICUS)

O fenômeno Tehuantepec e o terremoto de magnitude 7,1, que se seguiu em 19 de setembro, foram tipos raros. Após a colisão, as placas tectônicas começaram a escorregar por baixo da outra. Isso dobra a placa tectônica, que se estende até certo ponto e se rompe, resultando em um violento terremoto. Estes acontecimentos são chamados terremotos tectônicos,já que ocorrem a uma distância considerável do limite da placa tectônica.

Mais uma vez, porém, Tehuantepec foi diferente. Melgar e sua equipe descobriram que a placa Cocos se rompeu na parte inferior da placa tectônica, onde deveria estar comprimida, a uma profundidade de cerca de 80 quilômetros.

E isso é outro problema. Na parte inferior da placa tectônica, as temperaturas atingem 1,1 mil graus Celsius. Isso deveria tornar a rocha macia e elástica demais para que pudesse se romper. Contudo, de acordo com os dados do estudo, a ruptura aconteceu.

Os pesquisadores apresentaram duas explicações. A primeira é que a força gravitacional que puxa a placa tectônica para baixo está usando força suficiente para contrabalançar o estado mole da rocha.

A segunda é que a água do mar poderia estar se infiltrando na falha, levando temperaturas mais baixas e ocasionando reações com os minerais na rocha, aumentando a sua fragilidade.

“O deslizamento até o geoterma de 1.100°C requer um desvio do modelo térmico, sugerindo uma injeção profunda de fluidos a partir de cima e o resfriamento do local da falha”, escreveram os pesquisadores.

O epicentro do terremoto de Tehuantepec aconteceu no lado terrestre da falha. Diversos prédios foram destruídas, 98 mortes foram confirmadas e diversas outras pessoas ficaram feridas. O fenômento também gerou um tsunami, com ondas alcançando 1,75 metros acima do nível da maré. De acordo com os especialistas, saber o que causou a ruptura da placa do Cocos poder ajudar a planejar e aliviar as consequencias de tais eventos no futuro.

Fonte: Revista Galileu


Créditos: Ambiente Brasil