Tartarugas superam lama da Samarco em Regência e desova volta a crescer no ES

Desova de tartarugas em Regência no Espírito Santo — Foto: Ari Melo/ TV Gazeta
Desova de tartarugas em Regência no Espírito Santo — Foto: Ari Melo/ TV Gazeta

Três anos depois do desastre ambiental no Rio Doce, o maior da história do país, a lama não interferiu na quantidade de tartarugas que vão à Praia de Regência, na Foz do Rio Doce, no Espírito Santo, fazer a desova. O número de ninhos está elevado, se comparar com anos anteriores.

“É um ponto positivo saber que as tartarugas estão voltando, estão vindo na nossa praia para desovar. Mas ainda precisa ainda de mais avaliação do estado comportamental delas, para perceber se vem algum resultado negativo ou não”, disse a bióloga Flávia Ribeiro.

A Praia de Regência é um dos principais pontos de desoba de tartaruga do país. No local, o Projeto Tamar tem uma base de estudos e preservação.

Pôr do sol em Regência, no Norte do Espírito Santo — Foto: Arquivo/ TV Gazeta
Pôr do sol em Regência, no Norte do Espírito Santo — Foto: Arquivo/ TV Gazeta

Há três anos, a situação no local foi um desespero. A lama de rejeitos da Samarco atingiu Regência em novembro, auge da temporada de desova.

Acompanhamento

Em 2015, os biólogos do projeto tiveram que interferir na desova para tentar salvar os animais que estavam nascendo. Os filhotes e os ovos foram levados para mais de 20 km ao Sul da Praia de Regência, onde a lama ainda não tinha chegado.

Tartaruga do projeto Tamar, em Regência — Foto: Ari Melo/ TV Gazeta
Tartaruga do projeto Tamar, em Regência — Foto: Ari Melo/ TV Gazeta

A intenção foi evitar que, pelo menos, o primeiro contato dos animais fosse com uma água contaminada. Mas os biólogos sabiam que as tartarugas de alguma foram iriam nadar na água com lama de rejeitos de minério.

Agora, em 2018, é o começo de mais uma temporada de desova. Como a desova acontece à noite, os biólogos percorrem 37 quilômetros de praia, monitorando os animais.

Na escuridão, somente o farol dos veículos ilumina a praia. E só mesmo o olhar treinado da bióloga para achar a tartaruga. “A gente vai buscando pelo rastro que ela deixa na areia, que, por mais que esteja escuro, o rastro se destaca”, falou.

Cada tartaruga coloca em média 120 ovos. As tartarugas marinhas seguem um intervalo de dois a três anos para desovar.

Desova de tartarugas em Regência no Espírito Santo — Foto: Ari Melo/ TV Gazeta
Desova de tartarugas em Regência no Espírito Santo — Foto: Ari Melo/ TV Gazeta

Então, muitos animais que, em 2018, estão chegando a praia, também passaram pela região no ano do desastre ambiental, em 2015.

A maior parte das tartarugas que desova em Regência é da espécie cabeçuda. As tartarugas da espécie gigante chegam em menor número, mas são as que mais precisam dessa praia para sobreviver.

“A dermochelys, a tartaruga-gigante, só desova aqui na nossa praia, no Atlântico Sul Ocidental. É uma população que está criticamente ameaçada, muito pequena e escolheu o Norte do Espírito Santo para desovar”, explicou a bióloga.

Desova até março

A temporada de desova vai até o mês de março. A cada mil tartarugas que nascem, apenas uma chega à fase a adulta. Depois de cobrir os ninhos, as mamães as tartarugas imediatamente voltam para o mar.

Tartarugas seguindo para o mar, no Espírito Santo — Foto: Arquivo/ TV Gazeta
Tartarugas seguindo para o mar, no Espírito Santo — Foto: Arquivo/ TV Gazeta

Impactos da lama

Para saber como está a qualidade dessa água, três anos após o desastre, quase 500 pesquisadores de 24 universidades estão coletando amostras de água, lama e analisando todos os animais que podem ter sido afetados.

É um investimento de R$ 120 milhõesos e os resultados serão divulgados a cada seis meses. Analisando os impactos ao meio ambiente, os pesquisadores têm certeza que podem melhorar a vida das pessoas que foram atingidas pelo desastre.

“É um objetivo que a gente tem é quando esses resultados começarem a sair a gente retornar à comunidade local, para mostrar o que que a gente fez, que seria uma forma de mostrar aonde esse dinheiro foi aplicado e os produtos principais que a gente alcançou. É um embasamento importante para a questão que é a mais relevante, que é a saúde humana, que é a população”, disse o geólogo coordenador da pesquisa, Alex Bastos.

Fundação Renova

A Fundação Renova informou que já gastou mais de R$ 420 milhões no Espírito Santo, com o pagamento de indenizações e auxílio financeiro para as pessoas atingidas. Cerca de 4.900 pessoas recebem esse auxílio de um salário mínimo e cesta básica.


Créditos: Ambiente Brasil