Precisamos comer menos carne de vaca para conseguir alimentar o planeta todo em 2050

Relatório do Instituto Mundial de Recursos (WRI, na sigla em inglês), alerta que países mais ricos devem diminuir drasticamente o consumo de carne de ruminantes para que seja possível alimentar a população mundial em 2050.

Isso porque esses animais requerem muita área de pasto e de plantação de soja que é usada em rações. Este espaço poderia ser usado para criar outros animais ou vegetais. Além disso, ruminantes liberam quantidades enormes de metano, um gás de efeito estufa. Carne de vaca é responsável por apenas 3% da dieta de um americano, mas é responsável por 50% das emissões.

Em 2050 precisaremos produzir 50% mais alimentos do que produzimos agora, mas o maior desafio será reduzir as emissões de gás de efeito estufa em 66%. Essa comida extra vai ter que ser produzida sem aumentar a área de fazendas que existem hoje, caso contrários as florestas do mundo serão destruídas.

A produção de gado e laticínios usa 83% das terras de fazendas, portanto é necessário aumentar a quantidade de alimento produzido por hectare. Também é importante cortar o desperdício de alimento que poderia muito bem ser consumido. O mundo todo joga 33% dos alimentos fora na colheita, transporte, venda e nas próprias casas das pessoas.

Mudanças urgentes

“Temos que mudar como produzimos e consumimos comida, não apenas por motivos ambientais, mas porque é um problema de sobrevivência para os humanos”, diz Janet Ranganathan, vice-presidente de ciência e pesquisa da WRI.

Tim Searchinger, da WRI e também da Universidade de Princeton (EUA), alerta que precisamos mudar o sistema de produção com urgência: “se tentássemos produzir todo o alimento necessário em 2050 com os sistemas de produção atuais, o mundo teria que converter a maior parte das florestas”. Apenas a agricultura produziria metade das emissões de todas as atividades humanas.

Menos carne para alguns, mais para outros

Outro relatório, desta vez da ONU, mostra que a redução do consumo de carne é essencial para evitar mudanças climáticas perigosas. Reduzir o consumo de carne vermelha e laticínios é a principal forma de reduzir o impacto ambiental individual no planeta.

O relatório da WRI recomenda que 2 bilhões de pessoas em vários países, incluindo EUA, Rússia e Brasil reduzam seu consumo de carne vermelha em 40%, limitando-o a 1,5 porções por semana, em média. Essa redução não faria muita diferença para a grande maioria da população mundial, que já consome pouquíssima carne de vaca.

“As pessoas pobres do mundo têm direito a comer um pouco mais de carne”, diz Searchinger.

O consumo de carne vermelha já tem se reduzido espontaneamente nos EUA e Europa em 33% desde os anos 1960.

Como fazer isso?

Campanhas de marketing e estratégias de mudança de comportamento que empresas de alimentos já usam pode ajudar a mudar dietas, diz Ranganathan. Governos também poderiam encorajar menor consumo de carne de vaca e carneiro em escolas, hospitais e outras instituições públicas.

Outra mudança que pode ajudar a diminuir a geração de metano é melhorar a ração dos bovinos e reduzir o uso de energia de equipamentos de plantação.

Já quanto ao tamanho da população em si, a melhor forma de diminuir o crescimento mundial é melhorar o acesso de mulheres à educação e ao atendimento de saúde, especialmente na África, para acelerar a redução voluntária de níveis de fertilidade.

Este relatório da WRI foi apresentado em um encontro da ONU na Polônia, em que representantes de 200 países que assinaram o Acordo de Paris de 2015 se encontraram. O objetivo é limitar o aquecimento global em 1,5ºC.

Fonte: Hypescience


Créditos: Ambiente Brasil