Pesquisadores vestem aves com “mochilas de GPS” para entenderem migração

Três etapas da pesquisa: na primeira foto (à equerda), indivíduo anilhado na pata esquerda retorna ao ninho após a invernada; no centro, imagem da ave já "vestindo" a mochila de GPS; na última foto (á direita), o detalhe do GPS que tem a medida de uma moeda de 5 centavos  (Foto: Divulgação)
TRÊS ETAPAS DA PESQUISA: NA PRIMEIRA FOTO (À EQUERDA), INDIVÍDUO ANILHADO NA PATA ESQUERDA RETORNA AO NINHO APÓS A INVERNADA; NO CENTRO, IMAGEM DA AVE JÁ “VESTINDO” A MOCHILA DE GPS; NA ÚLTIMA FOTO (Á DIREITA), O DETALHE DO GPS QUE TEM A MEDIDA DE UMA MOEDA DE 5 CENTAVOS (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Sobrevoando pelo céu dos parques e das áreas urbanas das cidades brasileiras estão pássaros equipados com pequenas “mochilas de GPS”. As “malas” tem tamanho de uma moeda de 5 centavos e pesam apenas uma grama para não incomodar os bichinhos. Os equipamentos armazenam informações sobre o processo de migração das aves e fazem parte de um projeto de doutorado da pesquisadora Karlla Barbosa, da Unesp Rio Claro.

As aves equipadas com as “mochilas” fazem migração austral (dentro do continente): entre as espécies, estão a peitica (Empidonomus varius), o bem-te-vi-rajado (Myiodynastes maculatus), o suiriri (Tyrannus melancholicus) e a tesourinha (Tyrannus savana).

Antes de as aves ganharem as suas próprias “mochilas”, elas são marcadas com anilhas coloridas. Em 2017, cerca de 50 aves receberam os anéis, colocados por Barbosa e por seu orientador Alex Jahn, vinculado à Unesp e à Indiana University, dos Estados Unidos.

Karlla Barbosa, doutoranda do Laboratório de Ecologia Espacial e Conservação (LEEC) da Unesp de Rio Claro (Foto: Divulgação)
KARLLA BARBOSA, DOUTORANDA DO LABORATÓRIO DE ECOLOGIA ESPACIAL E CONSERVAÇÃO (LEEC) DA UNESP DE RIO CLARO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

“ Cada combinação de cor significa um local e um indivíduo, é como se fosse o RG das aves. Esperamos os bichos voltarem e o que descobrimos é que eles geralmente voam e voltam para o mesmo local, até para a mesma árvore”, afirma a pesquisadora, em entrevista à GALILEU.

Os pesquisadores constataram que, após a migração, pelo menos 50% dos animais voltaram exatamente para o mesmo ninho de onde partiram, uma fidelidade pelo território conhecida como filopatria.

“Em parques pequenos, como é o caso do Parque Trianon da Avenida Paulista, só encontrei um casal de aves, pois o parque não comporta muitos casais e eles são territorialistas. Usam o parque, viajam pra longe, mas ainda assim não deixam outro casal da espécie usar o local”, explica a pesquisadora.

"Mochila" de GPS é colocada em ave.  (Foto: Reprodução/ Youtube)
“MOCHILA” DE GPS É COLOCADA EM AVE. (FOTO: REPRODUÇÃO/ YOUTUBE)

Segundo Barbosa, rastrear as rotas das aves é muito importante para entender como as espécies interagem com os espaços urbanos. Algumas aves só se adaptam em parques, como o Ibirapuera e o Parque do Carmo. Outras espécies não suportam ruídos das cidades e deixam seus ninhos por causa disso. Se a quantidade de insetos nessas áreas se reduz, por exemplo, elas podem passar fome e morrer antes do final da migração. 

A tecnologia de GPS das “mochilas” não permite envio de dados ao vivo, mas apenas os armazena. Por isso, após os voos, os bichos são recolhidos para que os pesquisadores estudem suas rotas migratórias. Os dados também são coletados graças à participação cidadã de observadores de aves. Se você observar uma ave migratória com uma anilha ou avistar um ninho, é possível contribuir com a pesquisa preenchendo formulários no blog Aves da Cidade.

Fonte: Revista Galileu *Com supervisão de Thiago Tanji


Créditos: Ambiente Brasil

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