Pesquisa revela a erupção vulcânica marinha mais profunda já vista

Veículo utilizado para analisar as profundezas do oceano (Foto: Bill Chadwick/NOAA/Pacifi Marine Laboratory)
VEÍCULO UTILIZADO PARA ANALISAR AS PROFUNDEZAS DO OCEANO (FOTO: BILL CHADWICK/NOAA/PACIFI MARINE LABORATORY)

Cientistas encontraram acidentalmente a mais profunda erupção vulcânica já vista no planeta. A descoberta aconteceu durante uma pesquisa de fontes termais perto da Fossa das Marianas, o local mais profundo dos oceanos, que fica na fronteira entre as placas tectônicas do Pacífico e das Filipinas.

“Uma das razões pelas quais estamos interessados ​​nessa área é que as erupções do mar profundo fornecem calor para as fontes termais quentes, que dão energia química para ecossistemas incomuns que vivem ao redor das fontes”, explicou Bill Chadwick, geólogo, em entrevista à IFLScience.

O plano da exploração era comparar os organismos que vivem no arco voltaico de Mariana com aqueles encontrados no arco de Mariana – dois ecossistemas que correm paralelos, mas exibem diferentes condições oceânicas.

O braço do veículo (a), um verme poliqueta (b) e um camarão (c). A lagosta (d), que vive apenas em torno das fontes hidrotermais, é um dos primeiros colonizadores dos novos fluxos de lava que entraram em erupção no arco voltaico de Mariana (Foto: Chadwick et al./Frontiers in Earth Science)
O BRAÇO DO VEÍCULO (A), UM VERME POLIQUETA (B) E UM CAMARÃO (C). A LAGOSTA (D), QUE VIVE APENAS EM TORNO DAS FONTES HIDROTERMAIS, É UM DOS PRIMEIROS COLONIZADORES DOS NOVOS FLUXOS DE LAVA QUE ENTRARAM EM ERUPÇÃO NO ARCO VOLTAICO DE MARIANA (FOTO: CHADWICK ET AL./FRONTIERS IN EARTH SCIENCE)

Os pesquisadores encontraram a erupção vulcânica de cerca de 4.500 metros abaixo da superfície, que forma estruturas de vidro vulcânico. O relatório da descoberta foi publicado na revista Frontiers in Earth Science.

“A maior parte da atividade vulcânica da Terra ocorre no oceano profundo, mas quase sempre acontece sem ser detectada e nem vista”, disse Chadwick.

Lava recente (preta) encontrada nas profundezas da Fossa das Marianas (Foto: Bill Chadwick, NOAA Pacific Marine Environmental Laboratory, Woods Hole Oceanographic Institution, and Schmidt Ocean Institute)
LAVA RECENTE (PRETA) ENCONTRADA NAS PROFUNDEZAS DA FOSSA DAS MARIANAS (FOTO: BILL CHADWICK, NOAA PACIFIC MARINE ENVIRONMENTAL LABORATORY, WOODS HOLE OCEANOGRAPHIC INSTITUTION, AND SCHMIDT OCEAN INSTITUTE)

Quando os especialistas chegaram no local pela primeira vez em 2015, eles observaram uma ventilação que indicava a presença de uma nova lava ainda quente. Quando voltaram no ano seguinte, a ventilação havia diminuido.

Depois de comparar esses dados com os informações batimétricas (medição da profundidade dos oceanos) coletados em 2013, os cientistas determinaram que a erupção provavelmente ocorreu alguns meses antes, estendendo-se por 7,2 km de comprimento e variando em espessura de 40 a 137 metros.

Chadwick afirmou que descobertas como esta podem ajudar a explicar como os vulcões se comportam em solo terrestre, e como as erupções submarinas afetam o oceano. “Como não podemos detectar a maioria das erupções, toda vez que encontramos alguma, é uma rara oportunidade de aprender como elas funcionam e que tipo de impacto causam”, ele declarou.

Lava nas profundezas da Fossa das Marianas (Foto: Bill Chadwick, NOAA Exploration and Research Program and Pacific Marine Environmental Laboratory)
LAVA NAS PROFUNDEZAS DA FOSSA DAS MARIANAS (FOTO: BILL CHADWICK, NOAA EXPLORATION AND RESEARCH PROGRAM AND PACIFIC MARINE ENVIRONMENTAL LABORATORY)

Fonte: Revista Galileu


Créditos: Ambiente Brasil