Perda de gelo na Antártida já está 6 vezes maior que nos anos 70

Iceberg (Foto: Pixabay)
SEGUNDO O ESTUDO, OS ICEBERGS DO LADO LESTE DA ANTÁRTIDA SÃO OS MAIS VULNERÁVEIS DO QUE SE IMAGINAVA (FOTO: PIXABAY)

Uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (14) no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences mostrou que o ritmo de derretimento das geleiras pode estar mais acelerado do que o esperado. Segundo os resultados do estudo, hoje a Antártida perde seis vezes mais gelo do que perdia em 1979.

Para chegar à conclusão, os cientistas usaram fotos aéreas e dados de satélite para mapear todas as regiões do continente e descobrir quais foram os impactos causados pelas mudanças climáticas. Ainda que não tenham percebido grandes diferenças na queda de neve na Antártida, os especialistas detectaram que o aquecimento das águas do mar tem servido como um importante responsável pela rápida perda de gelo na região.

Já era sabido que o quadro era crítico na porção oeste do continente antártico. Por lá, as bases dos icebergs ficam submersas e mais vulneráveis às correntes de água quente, que vão “corroendo” o gelo e desestabilizando as geleiras. A novidade trazida pelo estudo foi a de que o gelo da parte leste da Antártida, onde as bases dos icebergs não ficam submersas, também está derretendo — e muito rápido. Dos anos 70 para cá, calcula-se que o derretimento das geleiras tenha elevado o nível do mar em cerca de 14 milímetros.

As análises mostraram que entre 1979 e 1990, foram 40 gigatoneladas de gelo perdido por ano. De 2009 a 2017, esse número subiu para 252 gigatoneladas e, ao que parece, a situação só tende a piorar daqui para frente. “À medida em que o gelo da Antártida continuar a derreter, esperamos que nos próximos séculos isso leve a um aumento de vários metros no nível do mar”, afirmou Eric Rignot, professor da Universidade da Califórnia (EUA) e um dos principais autores do estudo. Como ele mesmo disse em um comunicado oficial, o que vemos hoje é apenas a “ponta do iceberg”.

Fonte: Revista Galileu


Créditos: Ambiente Brasil