Ondas sísmicas abalam Oceano Índico e cientistas não sabem o porquê

Ilha Mayotte, onde os sinais sísmicos podem ter surgido (Foto: Pixabay/Anymal2/Creative Commons)
ILHA MAYOTTE, ONDE OS SINAIS SÍSMICOS PODEM TER SURGIDO (FOTO: PIXABAY/ANYMAL2/CREATIVE COMMONS)

Na manhã do dia 11 de novembro, ondas sísmicas misteriosas foram captadas no Oceano Índico por estações de monitoramento da África e Américas, deixando cientistas intrigados. A sua origem foi em uma região próxima à costa da Ilha Mayotte, mas os tremores aconteceram por mais de 20 minutos e ninguém sentiu nada.

Especialistas classificaram as ondas como ondas lentas semelhantes àquelas vistas após grandes terremotos, conhecidas por viajarem grandes distâncias. Os sinais sísmicos fora indentificados a quase 18 mil quilômetros de Mayotte, acionando sensores na Zâmbia, Quênia, Etiópia, Chile, Nova Zelândia, Canadá e até no Havaí (EUA). Contudo, nenhum terremoto ocorreu na região.

Apenas um neozelandês notou coisas atípicas nestes sinais, por meio de fotos no US Geological Survey, agência online que publica registros de ondas e tremores. “É um sinal sísmico estranho e incomum, que pôde ser visto em todo o mundo”, o rapaz postou no Twitter. Com isso, outros especialistas em geografia começaram a debater sobre o que poderia ter causado os tremores misteriosos.

Anthony Lomax, consultor independente de sismologia, disse ao portal Daily Mail Onlineque os tremores poderiam ter sido ocasionados ​​por atividades submarinas, como erupções vulcânicas. “Há atividades sísmicas de baixo nível em andamento desde maio”, ele relatou. “Inflação, deflação e o colapso das caldeiras vulcânicas e o movimento do magma sob um vulcão podem produzir uma grande variedade de sinais sísmicos, incluindo ondas repetidas e de longo período, como as observadas em 11 de novembro.”

Registros sísmicos perto da ilha de Mayotte (Foto: Reprodução/UKEQ_Bulletin/Twitter)
REGISTROS SÍSMICOS PERTO DA ILHA DE MAYOTTE (FOTO: REPRODUÇÃO/UKEQ_BULLETIN/TWITTER)

Ondas lentas também são incomuns por causa de seu “anel” monótono e de baixa frequência e de sua disseminação global.

Durante um terremoto comum, o acúmulo de tensão se libera em segundos com muita pressão. Os sinais mais rápidos, conhecidos como primários (ondas P), atingem primeiro os sismógrafos e produzem uma leitura de tremores repetidos. Eles são seguidos pelos secundários (ondas S), que se registram como movimentos mais longos.

As ondas de baixa frequência alcançam sismógrafos de forma parecida como as desencadeadas em Mayotte. O padrão de ziguezague foi formado principalmente por um só tipo de onda (monocromática), que levou 17 segundos para ser repetida.

“Não faço ideia se um sinal global semelhante a essa natureza já foi observado”, disse Jamie Gurney, da University of Plymouth Geology, no Reino Unido.

Localização na mapa da Ilha Mayotte, entre o Oceano Índico e o Canal de Moçambique (Foto: Mapbox/OpenStreetMap)
LOCALIZAÇÃO NA MAPA DA ILHA MAYOTTE, ENTRE O OCEANO ÍNDICO E O CANAL DE MOÇAMBIQUE (FOTO: MAPBOX/OPENSTREETMAP)

Até agora, muitos cientistas suspeitam que as ondas estejam relacionadas a um enxame sísmico em andamento na região, que começou em maio de 2017. Centenas de pequenos terremotos ocorreram neste período, com a maior magnitude alcançando 5,8 em 15 de maio do ano passado.

Especialistas do French Geological Survey (BRGM) afirmaram que os sinais sísmicos podem indicar que o magma abaixo da ilha vulcânica está saindo para o mar. Outros dizem que pode ter havido um terremoto “lento” que simplesmente passou despercebido.

O próximo passo de muitos geólogos é examinar o oceano para descobrir qualquer informação que possa ajudar a explicar este fenômeno misterioso.

Fonte: Revista Galileu


Créditos: Ambiente Brasil