No Quênia, mercado de carbono impulsiona conservação de manguezais

No Quênia, a ONU Meio Ambiente apoia um vilarejo litorâneo a conservar e restaurar mais de 4 mil hectares de mangues. Os esforços de preservação viram créditos que podem ser vendidos pela comunidade no mercado de carbono. O projeto deve apoiar os meios de subsistência de mais de 8 mil pessoas em comunidades pesqueiras.

Mangues recém-plantados em Vanga, no Quênia. Foto: ONU Meio Ambiente/GRID-Arendal/Rob Barnes
Mangues recém-plantados em Vanga, no Quênia. Foto: ONU Meio Ambiente/GRID-Arendal/Rob Barnes

Quando um método comprovado de restauração ecossistêmica também ajuda a reduzir a pobreza e a construir a resiliência econômica, os governos frequentemente decidem apoiar essa estratégia por considerarem que se trata de uma solução onde todos saem ganhando.

O Programa da ONU para o Meio Ambiente, o Serviço Florestal do Quênia, o Instituto de Pesquisa Marinha e de Pesca do país africano e instituições parceiras lançaram recentemente, no litoral queniano, o projeto Florestas Azuis, implementado no vilarejo de Vanga. A iniciativa propõe a comercialização de créditos de carbono associados à conservação e à restauração de manguezais.

“Todo esse vilarejo e outros vilarejos próximos dependem da pesca. E a floresta de mangue é, de fato, a área de procriação para os peixes”, afirma o chefe de Vanga, Kama Abdallah.

“Se os mangues fossem destruídos, haveria fome”, acrescenta Mwasiti Salim, um dos moradores do vilarejo.

Em junho de 2019, foi lançado em Vanga o plano de gestão participativa das florestas, da Associação Florestal da Comunidade de Vajiki. A proposta é parte da iniciativa apoiada pela ONU Meio Ambiente por meio do projeto Florestas Azuis, do Fundo Global para o Meio Ambiente, e por meio do projeto de incentivos para a conservação de recifes de corais, da própria agência das Nações Unidas.

De acordo com o plano de gestão, os mangues no condado de Kwale serão coadministrados pelo Serviço Florestal do Quênia e pela Associação Florestal da comunidade. A ONU Meio Ambiente ajudou a desenvolver o plano. Já o Instituto de Pesquisa Marinha e de Pesca do Quênia deu apoio técnico à comunidade.

Vista aérea do vilarejo de Vanga, no Quênia. Foto: ONU Meio Ambiente/GRID-Arendal/Rob Barnes
Vista aérea do vilarejo de Vanga, no Quênia. Foto: ONU Meio Ambiente/GRID-Arendal/Rob Barnes

O plano de gestão inclui a venda de créditos de carbono no mercado voluntário de carbono, que é verificado pela padronização do comércio de carbono Plan Vivo. A estratégia foi inspirada no sucesso de um projeto similar em Gazi, uma comunidade localizada poucos quilômetros ao norte.

Em Gazi, os créditos de carbono associados aos mangues são comercializados desde 2012.

“Globalmente, esse é um dos primeiros projetos que está comercializando créditos de carbono (oriundos) da conservação e da restauração de mangues”, afirma o especialista em manguezais da ONU Meio Ambiente, Gabriel Grimsditch.

“O projeto vai conservar e restaurar mais de 4 mil hectares de mangues no condado de Kwale e apoiar os meios de subsistência de mais de 8 mil pessoas em comunidades pesqueiras na área, por meio de iniciativas de desenvolvimento da comunidade.”

Mudas para o plantio de manguezais em Vanga, no Quênia. Foto: ONU Meio Ambiente/GRID-Arendal/Rob Barnes
Mudas para o plantio de manguezais em Vanga, no Quênia. Foto: ONU Meio Ambiente/GRID-Arendal/Rob Barnes

Lilian Mwihaki, do Instituto de Pesquisa Marinha e de Pesca do Quênia, ressalta os benefícios do comércio de carbono. “Com a venda dos créditos de carbono, eles terão fundos que poderão injetar na comunidade. A comunidade de Gazi conseguiu comprar livros para crianças em idade escolar. Também conseguiram comprar alguns equipamentos para o hospital deles. Conseguiram (até) levar água para a comunidade.”

O lançamento do plano de gestão foi um evento de alto nível, com a participação do secretário de Gabinete  do Ministério do Meio Ambiente do Quênia, Keriako Tobiko, do cientista-chefe do Instituto de Pesquisa Marinha e de Pesca, James Kairo, e do presidente do instituto, John Mumba.

Os mangues são ecossistemas raros e férteis, encontrados na fronteira entre a terra e o mar. Os manguezais sustentam uma rica biodiversidade e oferecem um valioso berçário para peixes e crustáceos. Os mangues também atuam como uma forma de defesa natural da costa contra tempestades repentinas, tsunamis, o aumento do nível do mar e a erosão. Seus solos são tanques de carbono altamente eficazes, absorvendo vastas quantidades do carbono que contribui para o aquecimento global.

Apesar de sua importância, os mangues estão desaparecendo a uma velocidade de três a cinco vezes mais alta do que as floretas no geral. O problema tem impactos ecológicos e socioeconômicos sérios. Os números atuais indicam que a cobertura de mangues no mundo diminuiu pela metade ao longo dos últimos 40 anos.

“Estimativas sobre a área total de mangues no mundo variam, mas vão de 10 milhões a 20 milhões de hectares. O projeto em Vanga cobre apenas um porcentagem minúscula dessa área, mas as suas inovações são replicáveis e ampliáveis em escala — com modificações locais — globalmente”, afirma Grimsditch.

O Dia Internacional de Conservação do Ecossistema de Mangue, 26 de julho, foi estabelecido em 2015 pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Em 23 de setembro, em Nova Iorque, acontece a Cúpula de Ação Climática da ONU, convocada pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para aumentar as ambições dos países e acelerar as ações contra a emergência climática global. O encontro quer promover a implementação rápida do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima.

Fonte: ONU


Créditos: Ambiente Brasil

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