Micro Usina Hidrelétrica: Seria a solução para regiões desprovidas de energia elétrica?

A energia de origem hídrica, a energia hidrelétrica, teve início no
Brasil em 1889
no rio Paraibuna, com o início da operação comercial da
usina Marmelos, próximo a Juiz de Fora. Visto na época como um grande salto
para a inserção da nova tecnologia no país, que devido as suas características
geográficas, principalmente de relevo e rios de grande porte, possuíam um alto
potencial de crescimento nos estados brasileiros.

Usina Marmelos. Fonte: Prefeitura de Juiz de Fora, Patrimônio Cultural.

A partir disto, deu-se o início
de uma diversidade de pesquisas, estudos e abertura de empresas especializadas
na construção e operação de empreendimentos hidrelétricos, sejam estes de
grande ou pequeno porte.

A energia produzida por estes
empreendimentos, é transportada através das linhas e torres de transmissão de
alta tensão, similares as vistas próximas a estradas, percorrendo grandes
distâncias até a chegada nas cidades, onde passam por transformadores de
tensão em subestações para se diminuir a voltagem.

Após isso, a energia elétrica segue pela rede de
distribuição, onde os fios instalados em postes levam a energia até as ruas
das casas, que também possuem transformadores de (instalados nos postes) para
rebaixar a voltagem para 127 ou 220 volts. Em seguida, a energia vai para o
medidor da residência, medindo o consumo de energia do local.

Deste trajeto da energia, os empreendimentos de geração são
responsáveis pela geração propriamente dita da energia, as redes de
transmissão e distribuição, de responsabilidade normalmente de outra empresa
ou concessionária, atuam com o transporte e destinação às cidades. 

Aqui neste artigo abordaremos
uma nova tecnologia que vem ganhando espaço no mercado, focado na micro geração, se caracterizando por
estrutura de porte reduzido pensado para geração de energia em regiões rurais
afastadas
.

Atualmente há empresas, tais
como a empresa belga Turbulent se especializando na estruturação de usinas
hidrelétricas de porte reduzido, para utilização em rios, riachos e canais,
utilizando-se de turbina de redemoinho e aproveitando a água corrente para a
geração de energia, em alguns casos podendo abastecer até sessenta casas.
Segundo estas empresas, a energia de
fonte limpa, consegue operar durante 24 horas e não impacta os peixes no local
de instalação
.

Estes projetos foram estruturados
de forma a minimizar o impacto local, com fornecimento de energia
descentralizada a baixo custo, sendo indicado para regiões isoladas da rede
elétrica.

Turbina Redemoinho de Usina Hidrelétrica de Pequeno Porte. Fonte: Ciclo Vivo.

Conforme ilustrado na figura
acima, a turbina de redemoinho se aproveita da hidrodinâmica natural do rio,
utilizando pequenas corredeiras e correntezas que se formam, e
intensificando-as com a inserção de bacia de concreto pré-moldado, é incluindo
também um gerador e impulsor no fundo desta bacia.

As comportas, quando acionadas,
permitem a passagem da água até o reservatório, fazendo a turbina funcionar,
transformando por sua vez a energia mecânica em energia elétrica através do
gerador. Havendo água e fluxo suficiente no sistema, será viável a geração de
energia.

Exemplo de Funcionamento da Turbina. Fonte: Turbulent.

Segundo o site da empresa
Turbulent a turbina possui vida útil longa e não prejudicam a passagem de
peixes, devido a não existir obstruções na passagem ou vórtices de água
inconstantes.

O principal objetivo deste tipo de construção é a descentralização da
energia e assistência a regiões sem acesso a rede nacional de energia
,
sendo necessário a existência de diferença de altura de 1,5 metros para que a
turbina de baixa pressão funcione. Em termos de geração nos testes e
construções feitas na Bélgica e Chile estas estruturas podem gerar de 15, 30 a
100 quilowatts.

Tais soluções começaram a serem
pensadas no contexto brasileiros, em virtude das características geográficas
favoráveis do relevo, bem como, do cenário ainda existente de regiões
desprovidas de acesso e energia elétrica por concessionárias, em muitos casos
optando para o uso de moto-geradores movidos a diesel e gasolina.

No contexto brasileiro, mais
especificamente em Curitiba iniciaram-se análises e construções de protótipos
com concepções similares as turbinas redemoinhos, mas com aproveitamento exclusivo
da queda natural do rio e focado para que cada residência gere sua própria
energia para consumo, em uma estrutura do tamanho e formato de uma caixa de
abelhas.

Esta usina é capaz de gerar até
720 quilowatts/hora por mês, gerando uma economia
de cerca de R$ 500,00 por mês na conta de luz
, sendo suficiente para abastecer de três a quatro residência
urbanas ou de duas a três propriedades rurais
. Neste caso, é pensado para
que a energia gerada extra seja retornada para a rede da concessionária local,
gerando crédito a residência que a produz, similar ao visto na utilização de
painéis solares.

Criação por Brasileiros de Micro Usina Hidrelétrica. Fonte: Ciclo Vivo.

Dentre os pré-requisitos para a viabilidade deste tipo de projeto tem-se a
necessidade de fonte de água próxima
, podendo ser de rio, riacho,
garantindo disponibilidade mínima de água, bem como, uma queda natural (por gravidade) de pelo menos 15 metros de altura para
que a correnteza tenha força o suficiente para acionar a turbina da usina.

Este projeto, criado por
engenheiros brasileiros, já avançou da fase de protótipo e autorizações
pertinentes, viabilizando a estruturação para a comercialização da solução em
larga escala.

Maria Beatriz Ayello Leite
Redação Ambientebrasil


Créditos: Ambiente Brasil

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