Maior desastre ambiental da história dos EUA pode estar em andamento

Uma imagem aérea de uma mancha de óleo no Golfo do México, tomada em 28 de abril de 2018. (Foto: Oscar Garcia-Pineda)
UMA IMAGEM AÉREA DE UMA MANCHA DE ÓLEO NO GOLFO DO MÉXICO, TOMADA EM 28 DE ABRIL DE 2018. (FOTO: OSCAR GARCIA-PINEDA

Uma explosão na sonda petrolífera Deepwater Horizon em 2010 deu início ao que ficou conhecido como o maior desastre ambiental dos EUA, com o vazamento de 4,9 milhões de barris de petróleo (quase 800 milhões de litros) nas águas do Golfo do México. A tragédia chamou a atenção de ambientalistas do mundo todo, que passaram a avaliar os danos para a região. No processo, viram que aquele não era o único vazamento, conforme revela o jornal Washington Post.

Descobriram que a 19 quilômetros da costa da Louisiana, uma outra plataforma estava vazando óleo constantemente. Algo entre 50 mil e 100 mil litros todos os dias desde 2004, quando o furacão Ivan afundou a plataforma de produção de petróleo da Taylor Energy.

Mas, ao contrário da Deepwater Horizon, quando o vazamento foi contido em alguns meses, a da Taylor nunca chamou tanta atenção e até hoje, 14 anos depois, contamina as águas do Golfo do México, levando muitos a acreditarem que esse sim é o maior desastre ambiental da história dos EUA.

De acordo com o jornal Washington Post, o vazamento da Taylor Energy é amplamente desconhecido fora da Louisiana por causa do esforço da empresa em mantê-lo secreto na esperança de proteger sua reputação. A empresa afirma não haver provas de que algum dos poços está vazando.

No mês passado, o Departamento de Justiça apresentou uma análise independente mostrando que o derramamento foi muito maior do que o de um a 55 barris por dia que o Centro Nacional de Resposta da Guarda Costeira dos EUA (NRC) alegou, usando dados fornecidos pela companhia petrolífera.

O autor da análise, Oscar Garcia-Pineda, consultor de geociências especializado em sensoriamento remoto de vazamento de óleo, disse que houve vários casos em que o NRC relatou estimativas baixas nos mesmos dias em que encontrava camadas pesadas de petróleo no campo. “Há evidências abundantes que apóiam o fato de que esses relatórios do NRC estão incorretos”, escreveu.

Mas não fica por aí. O Golfo é uma das regiões mais ricas e produtivas de petróleo e gás do mundo, que deve render mais de 600 milhões de barris somente este ano, quase 20% da produção total de petróleo dos EUA. Outros 40 bilhões de barris ficam no subsolo, esperando para serem recuperados, dizem analistas do governo.

Cerca de 2 mil plataformas estão nas águas da Louisiana. Quase 2 mil outras estão fora da costa de seus vizinhos, Texas e Mississippi. Além disso, são mais de 80 mil quilômetros de oleodutos ativos e inativos transportando petróleo e minerais para a costa.

Para cada mil poços, há uma média de 20 descargas descontroladas de petróleo a cada ano. Um incêndio ocorre a cada três dias, em média, e centenas de trabalhadores são feridos anualmente. Em média, 330.000 galões de petróleo bruto são despejados a cada ano na Louisiana a partir de plataformas marítimas e tanques de petróleo em terra, de acordo com uma agência estatal que os monitora.

Enquanto isso, O presidente Donald Trump está propondo a expansão de arrendamentos para a indústria de petróleo e gás, com o potencial de abrir quase toda a plataforma continental externa para perfuração offshore. Isso inclui a costa do Atlântico, onde a perfuração não acontece a mais de meio século e onde os furacões atingem com o dobro da regularidade que no Golfo.

A tendência é que a camada de óleo com as cores do arco-íris que se extende por quilõmetros entre a floresta de plataformas chegue ainda mais longe.

Fonte: Revista Galileu


Créditos: Ambiente Brasil