Laboratório de universidade do Rio de Janeiro usa hidrogênio como fonte limpa de energia

A mudança climática é uma das questões mais urgentes do nosso tempo, segundo as Nações Unidas. Há cerca de 30 anos, o Laboratório de Hidrogênio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vem estudando formas limpas e alternativas de produzir energia a partir do hidrogênio, sem contribuir para o aquecimento global.

Um estudo lançado em 2017 pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) indica que os automóveis são responsáveis por 72,6% das emissões de gases do efeito estufa na cidade de São Paulo – e a frota de ônibus representa a maior parte deste percentual.

Uma das tecnologias desenvolvidas pelo Laboratório de Hidrogênio da UFRJ é um ônibus híbrido movido a hidrogênio e eletricidade que não polui o meio ambiente. Confira detalhes neste vídeo especial produzido pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio):

Um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS) é assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todas e todos – o objetivo 7 entre os 17 que deverão ser cumpridos até 2030 por todos os 193 países que fazem parte da ONU.

Firmado em dezembro de 2015 durante a COP21 (21ª Conferências das Partes) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o Acordo de Paris é um esforço internacional coletivo para combater a mudança climática e seus efeitos. Ratificado até o momento por 184 dos 197 países que fazem parte da convenção, é uma iniciativa inédita no combate ao aquecimento global.

Um dos objetivos do compromisso é limitar o aumento da temperatura global a 1,5 ºC até o final do século. O cumprimento, contudo, depende de uma drástica redução na emissão de gases de efeito estufa.

Um dos caminhos para alcançar esta meta é a substituição de combustíveis poluentes por alternativas sustentáveis que não agridam o meio ambiente.

“Nós estamos preparando o Brasil com dispositivos tecnológicos para a transição enérgica dos combustíveis fósseis para energias renováveis e energia do hidrogênio”, disse o professor Paulo Emílio de Miranda, coordenador titular do Laboratório de Hidrogênio da (COPPE/UFRJ).

A queima de combustíveis fósseis é uma das principais causas por trás do aquecimento global. O ano de 2016 foi considerado o mais quente de toda a história, com temperatura média 1º C acima dos níveis pré-industriais.

Ônibus a hidrogênio

Entre as tecnologias desenvolvidas pela equipe está um ônibus híbrido movido a hidrogênio e eletricidade. O automóvel funciona com um motor elétrico que move as rodas, mas utiliza hidrogênio em alta pressão para gerar eletricidade a bordo e aumentar a autonomia do veículo.

“Há três modos de energia a bordo: a energia contida nas baterias, a energia contida nos cilindros de hidrogênio e a energia da regeneração do veículo”, disse Gabriel Lassery, mestrando em Engenharia de Transporte e membro do projeto.

As diversas fontes de energia permitem ao ônibus rodar mais de 300 km sem a necessidade de reabastecimento. Internamente, o meio de transporte tem a mesma capacidade de um ônibus urbano, porém é mais silencioso e tem tração mais leve na direção.

“Este veículo é único no hemisfério sul e tem desenvolvimento 100% nacional. Os equivalentes que já foram desenvolvidos têm desempenhos inferiores ao nosso”, disse Edvaldo Carreira, engenheiro eletricista.

“Além do ônibus, nós estamos produzindo dois navios. Um é um ferry boat, para o transporte de 15 veículos e 100 passageiros. O outro é um catamarã para o transporte de 100 passageiros”, disse o professor Paulo Emílio.

O Laboratório de Hidrogênio também produz pilhas que geram energia limpa, sem combustão e emissão de poluentes. Os elementos que compõem as pilhas são produzidos pela equipe, que tem a tecnologia patenteada. Suas utilidades são múltiplas: além de serem utilizadas para a geração de energia, também podem ser aproveitadas em boilers de aquecimento, por exemplo. Por meio de uma reação exotérmica, as pilhas geram calor e eletricidade para as residências.

Fonte: ONU


Créditos: Ambiente Brasil