Groenlândia está derretendo mais rápido que nos últimos 350 anos

Rachaduras no gelo da Groenlândia são mais preocupantes do que imaginavam os cientistas. (Foto: Timo Lieber)
RACHADURAS NO GELO DA GROENLÂNDIA SÃO MAIS PREOCUPANTES DO QUE IMAGINAVAM OS CIENTISTAS. (FOTO: TIMO LIEBER)

Que a Groenlândia está derretendo já não é nenhuma novidade. Os cientistas já descobriram que a perda da massa de gelo está mudando até o eixo da Terra, mas nenhum estudo tinha dado conta de medir a velocidade com que o aquecimento da temperatura está transformando em água parte da ilha congelada – até agora.

“O derretimento não está apenas aumentando – está acelerando”, diz o principal autor do estudo publicado no periódico Nature, Luke Trusel, glaciologista da Rowan University em Glassboro, Nova Jersey. “E isso é uma preocupação fundamental para o futuro”.

Pesquisas anteriores mostraram um recorde de degelo em partes da Groenlândia, mas a análise mais recente inclui a primeira estimativa do escoamento histórico em toda a camada de gelo. Os resultados mostram que a taxa de escoamento nas últimas duas décadas foi 33% maior que a média do século 20 e 50% maior do que na era pré-industrial.

Para chegar à conclusão, a equipe de Trusel fez diversas perfurações de mais de 140 metros na camada de gelo no centro-oeste da Groenlândia em 2014 e 2015. Os pesquisadores compararam os dados da camada de gelo e informações mais antigas da mesma área, com observações de derretimento por satélite na Groenlândia, e estimativas de derretimento e escoamento de um modelo climático regional.

As descobertas reforçam um estudo publicado em março que descobriu que a Groenlândia Ocidental está derretendo mais rápido atualmente do que em pelo menos 450 anos. “O que este papel faz bem é expandir esse registro para toda a camada de gelo”, diz Erich Osterberg, climatologista do Dartmouth College, em Hanover, New Hampshire, e co-autor do estudo publicado em março.

Ciclo vicioso
O relatório de Trusel também sugere que o aquecimento está alterando a estrutura superior da camada de gelo. Descongelar e recongelar cria um ciclo vicioso: a neve brilhante é substituída por manchas escuras de gelo que absorvem mais calor do Sol, aquecendo ainda mais a Groenlândia.

O ciclo de derretimento e congelamento também torna o gelo menos permeável, e a água escoa para o oceano em vez de escorregar para dentro da camada de gelo. “O efeito geral é que o derretimento gera ainda mais derretimento e escorrimento”, diz Trusel.

O volume de água da Groenlândia que escoou para o oceano atingiu um pico de 350 anos em 2012, quando a camada de gelo liberou cerca de 600 gigatoneladas de água no oceano – o suficiente para encher 240 milhões de piscinas olímpicas. Globalmente, os níveis médios do mar aumentaram cerca de 3,5 milímetros por ano desde 2005. A Groenlândia é agora o segundo maior contribuinte para esse aumento, representando cerca de 22% do total, de acordo com a análise mais recente do Programa Mundial de Investigação Climática. E esse número deve aumentar.

Fonte: Revista Galileu


Créditos: Ambiente Brasil