Gestor ambiental: o que faz, onde trabalha e qual o salário?

Destruição da Floresta Amazônica preocupa ambientalistas. — Foto: Rosa Maria/Pixabay
Destruição da Floresta Amazônica preocupa ambientalistas. — Foto: Rosa Maria/Pixabay

O gestor ambiental, como o próprio nome já sugere, tem o papel de administrar os recursos naturais – solo, água, ar, fauna e flora – e conciliá-los aos interesses do setor público ou privado, garantindo práticas sustentáveis.

O profissional pode, por exemplo, planejar e gerenciar atividades que diagnostiquem o impacto que uma empresa causa na natureza. “Isso pode ocorrer por meio de tarefas como o monitoramento da emissão de poluentes na atmosfera, as formas de consumo de energia ou o acompanhamento do tratamento do esgoto”, explica Renan Felicio dos Reis, coordenador do curso de tecnologia em gestão ambiental do Instituto Federal São Paulo (IFSP), na unidade de São Roque.

Outra área de atuação do profissional é no licenciamento ambiental. Pela Política Nacional de Meio Ambiente, algumas atividades só podem ser exercidas após ficar comprovado que não prejudicarão os recursos físicos, biológicos e socioculturais da região do empreendimento.

Extração de minerais, fábricas de aço, postos de gasolina, agropecuária, biotecnologia, turismo, estações de água e fábricas de alimentos, por exemplo, precisam ser licenciadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). O gestor ambiental pode coordenar as equipes multidisciplinares- com geólogos, arquitetos, biólogos e engenheiros – que farão essa fiscalização.

Existe também a possibilidade de trabalhar em consultorias ambientais. As empresas dessa área fazem a análise de riscos que o empreendimento pode oferecer à natureza, auxiliam nos procedimentos necessários para o licenciamento, pensam em projetos de sustentabilidade e fazem o gerenciamento dos resíduos.

Além disso, o gestor ambiental pode seguir a área acadêmica, ministrando aulas em universidades e fazendo pesquisas, e organizar projetos de educação ambiental em escolas e comunidades. Consegue também atuar em ONGs, institutos de pesquisa e empreendimentos de agricultura familiar.

Gestor ambiental administra recursos naturais. — Foto: Infográfico: Karina Almeida/G1
Gestor ambiental administra recursos naturais. — Foto: Infográfico: Karina Almeida/G1

O que aprende no curso? Qual a diferença em relação ao bacharelado?

O curso abrange conhecimentos como recuperação de áreas degradadas, gestão de recursos hídricos, energia, auditoria ambiental, cartografia, qualidade e controle da água, do ar e do solo, avaliação do impacto ambiental e licenciamento.

“Para se chegar a esses conteúdos mais específicos, o curso ensina noções gerais de geologia, sensoriamento remoto, climatologia, sociedade e meio ambiente. Há disciplinas de ecologia, biologia geral, química aplicada, segurança e saúde, educação ambiental e estatística”, afirma Simone Kapusta, coordenadora de gestão ambiental no Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), na unidade de Porto Alegre.

O desafio do aluno é conseguir integrar todos os conhecimentos. “A sensação, muitas vezes, é de que o estudante aprende tudo, mas não se aprofunda em nada – porque ele vê um pouco de conteúdo de cada um dos muitos itens de meio ambiente. Por isso, a gente recomenda uma especialização”, afirma Renan Felicio dos Reis, do IFSP. “É impossível sair do curso sabendo de tudo. Então, o aluno pode perceber de qual componente gosta mais e aí se aprofundar, por exemplo, em esgoto ou em recursos hídricos”, completa.

É justamente em relação ao fato de ser mais generalista que o curso de tecnologia em gestão ambiental se difere do bacharelado. “O tecnólogo vai ter uma visão mais abrangente. A vantagem é o tempo. O curso, em geral, tem 2 anos e meio ou 3 anos. O aluno pode perceber sua área de maior interesse e já emendar com um mestrado. Em no máximo 5 anos, ele terá a graduação e a pós-graduação”, explica Renan. “Essa é a vantagem: uma aceleração do processo para já entrar no mercado de trabalho.”

O bacharelado, por outro lado, tem a duração de 4 anos e um aprofundamento maior das disciplinas. “A base de física é maior, por exemplo. A gente fala de tratamento de água e pode ensinar a parte de hidráulica com mais detalhes. No de tecnólogo, não há tempo para tantos detalhes teóricos”, conclui o professor do IFSP.

Qual o salário, em média?

A profissão de gestor ambiental pode ser considerada nova – nem é regulamentada ainda. O projeto de lei 2264/2011, que busca essa oficialização, está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

Por isso, não há um conselho ao qual os profissionais possam se filiar, representação sindical ou piso salarial definido legalmente.

De acordo com levantamento do site de empregos Catho, os salários médios de funções exercidas pelo gestor ambiental são os seguintes:

  • Consultor ambiental – R$3.993,31
  • Analista de sustentabilidade – R$3.774,26
  • Auditor sistema de gestão ambiental – R$2.365,41
  • Coordenador de meio ambiente – R$5.542,84
  • Coordenador de sustentabilidade – R$5.333,22

Já na pesquisa do Site Nacional de Empregos (Sine), feita com base em 5.266 funcionários da área, os salários médios são:

Trainee

  • Pequena empresa: R$ 3.321,21
  • Média empresa: R$ 4.981,81
  • Grande empresa: R$ 7.472,72

Júnior

  • Pequena empresa: R$ 4.317,57
  • Média empresa: R$ 6.476,35
  • Grande empresa: R$ 9.714,53

Pleno

  • Pequena empresa: R$ 5.612,84
  • Média empresa: R$ 8.419,26
  • Grande empresa: R$ 12.628,89

Sênior

  • Pequena empresa: R$ 7.296,69
  • Média empresa: R$ 10.945,04
  • Grande empresa: R$ 16.417,56

Fonte: G1


Créditos: Ambiente Brasil

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