Fundo Verde destina US$160 mi a Chile, Nepal e Quirguistão para combate às mudanças climáticas

Apoio financeiro do Fundo Verde para o Clima (GCF) ao Chile, Nepal e Quirguistão visa oferecer suporte às respostas implementadas por esses países no combate às mudanças climáticas.

A iniciativa foi aprovada em novembro (13), em Songdo, na Coreia do Sul. Estima-se que o Fundo, apoiado pela ONU, beneficiará 1,5 milhões de pessoas.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) tem apoiado a elaboração de projetos com o objetivo de combater as mudanças climáticas e construir resiliência nas três nações.

Fazendeira trabalha em campos próximos à Vila Chatiune, no Nepal. Foto: ONU Mulheres | Narendra Shrestha.
Fazendeira trabalha em campos próximos à Vila Chatiune, no Nepal. Foto: ONU Mulheres | Narendra Shrestha.

Cerca de 161 milhões de dólares em financiamento foram aprovados pelo Fundo Verde para o Clima (GFC) para um projeto que visa a diminuição dos efeitos das mudanças climáticas em Chile, Quirguistão e Nepal.

A iniciativa foi aprovada em novembro (13), em Songdo, na Coreia do Sul. Estima-se que o Fundo, apoiado pela ONU, beneficiará 1,5 milhões de pessoas nos três países.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) tem apoiado a elaboração de projetos que têm como objetivo combater as mudanças climáticas e construir resiliência nas três nações.

De acordo com a vice-diretora geral de Clima e Recursos Naturais da FAO, Maria Helena Semedo, “a FAO e o GCF estabeleceram uma parceria forte e estratégica para trazer soluções climáticas transformadoras e ajudar os países a criar resiliência na resposta aos impactos das mudanças climáticas”.

O GCF é uma plataforma global que está respondendo às mudanças climáticas através de investimentos em baixa emissão de gases e desenvolvimento de resiliência climática.

O diretor-executivo do GCF, Yannick Glemarec, afirmou que o fundo diminuiu pela metade o tempo necessário para avançar em projetos, desde a aprovação até a liberação do financiamento , “ e a FAO desempenhou um papel crucial na transformação de ideias e ações inovadoras”, relatou.

“O GCF está comprometido a apoiar a adaptação e a iniciativas de mitigação com maior velocidade e escala, dada a crescente demanda por financiamentos climáticos”, complementou Glemarec.

Abordar mudanças climáticas é um dos pilares fundamentais do trabalho da FAO. A Organização acredita que ações climáticas efetivas em setores agrícolas poderão promover resiliência dos meios de subsistência, reduzindo a pobreza de comunidades rurais vulneráveis.

Segundo a FAO, isso se dará através da implementação de mitigação e ações de adaptação, ao mesmo tempo que irá preservar o ambiente e a biodiversidade.

Além disso, a FAO incentiva ativamente os países a aprimorar seu planejamento e capacidade para investimentos relacionados às mudanças climáticas através do Programa de Prontidão e Suporte Preparatório do Fundo Verde para o Clima.

Revitalizando florestas chilenas

O Chile será beneficiado com financiamento de 63 milhões de dólares, com base nos seus resultados da estratégia REDD+ (Redução de Emissões Decorrentes do Desmatamento e da Degradação de Florestas).

Esse é um incentivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) para recompensar financeiramente países em desenvolvimento por seus resultados de redução de emissões de gases provenientes do desmatamento e da degradação florestal.

Através da parceria, a FAO e o governo chileno visam renovar e conservar cerca de 25 mil hectares de floresta nativa em cinco regiões do país.

É esperado que o projeto reduza a emissão de gases de efeito estufa em 1,1 milhão de toneladas de CO², enquanto promove o reflorestamento de mais de 7 mil hectares e o gerenciamento e conservação sustentável de 17 mil hectares de mata.

Eve Crowley, a representante da FAO no Chile, destacou que as áreas visadas para a iniciativa possuem mais de quatro mil hectares afetados por incêndios.

“Essas regiões serão restauradas com espécies perenes, incluindo carvalho, faia Rauli e coihue, que são espécies nativas do Chile”, afirmou.

Os critérios de compartilhamento de benefícios para a alocação de recursos enfatizam o papel de gênero, povos indígenas e populações vulneráveis, para garantir impactos sociais e ambientais positivos.

Mais de 57 mil pessoas, incluindo membros de comunidades indígenas, participarão do projeto de florestação, restauração e manejo sustentável.

Criando resiliência climática em ecossistemas vulneráveis no Nepal

Mulher rural do Nepal. Foto: FAO | Aase Wolstad.
Mulher rural do Nepal. Foto: FAO | Aase Wolstad.

O GCF aprovou o financiamento de 39 milhões de dólares para o Nepal. Além disso, o Ministério das Florestas e Meio Ambiente do Nepal (MoFE) está co-financiando a iniciativa, e adicionou outros oito milhões de dólares, totalizando 47 milhões.

O primeiro projeto aprovado pelo GCF para o Nepal será implementado num período de sete anos, com assistência técnica fornecida pela FAO.

Isso ajudará o país a desenvolver capacidades de planejamento e extensão dentro dos governos provinciais e contribuirá para os objetivos da estratégia nacional do REDD+.

De acordo com Somsak Pipoppinyo, representante da FAO no Nepal, a iniciativa irá auxiliar mais de 200 mil famílias nas colinas de Churia  – a faixa mais ao sul aos pés do Himalaia, que corre do leste a oeste do Nepal.

A região fornece funções vitais para a manutenção do ecossistema das planícies – densamente povoadas, e é onde estão localizadas as terras agrícolas mais férteis. Ainda assim, décadas de uso não sustentável dos recursos naturais resultaram em degradação florestal, inundações e erosão do solo.

Pipoppinyo estima que a iniciativa irá contribuir para que quase um milhão de pessoas comecem a responder ativamente aos efeitos negativos do mau uso de recursos.

“[O projeto] também os ajudará a adaptar e diminuir os efeitos e eventos climáticos extremos nos próximos anos”, completou a oficial.

Combate à degradação e às mudanças climáticas no Quirguistão

O terceiro país beneficiado pelo fundo, o Quirguistão, receberá 30 milhões de dólares, que serão complementados com outros 20 milhões de dólares para um projeto que visa reverter a degradação florestal.

A proposta é que se aumente a cobertura florestal e a produtividade de terras e pastagens, além de apoiar a resiliência de mais de 430 mil pessoas.

O Quirguistão é um país sem litoral, com muitas montanhas, geleiras e lagos. Mais de 40% da terra agrícola está seriamente devastada, e mais de 85% do território do país foi afetado pela erosão de más práticas de manejo de pastagens e florestas.

O projeto visa aumentar o sequestro de carbono – diminuição de gás carbônico da atmosfera – por meio da reabilitação de matas e pastagens, com o apoio de reformas industriais e investimentos em crescimento verde, sustentados pelo setor privado.

Para garantir a sustentabilidade das melhorias nos recursos naturais e o sequestro de carbono, a iniciativa também visa reduzir a dependência de comunidades rurais de pastagens e recursos florestais, a fim de melhorar seus meios de subsistência e contribuindo para que as pessoas diversifiquem sua renda.

“A combinação de topologias montanhosas e um clima bastante seco limita a abundância de recursos naturais no Quirguistão, pressionado ainda mais pelos efeitos negativos das mudanças climáticas”, afirmou Dinara Rakhmanova, representante assistente da FAO no Quirguistão.

“Agora nós visamos fornecer iniciativas para comunidades a fim de preservar e expandir áreas florestais, melhorando terras e diversificando sua produção para aumentar a resiliência climática”, completou.

Fonte: ONU


Créditos: Ambiente Brasil

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