Formiga pulveriza inimigas com ácido e usa cabeças delas como decoração

A Formica Archboldi decapita as suas adversárias e usa suas cabeças como decoração no ninho (Foto: Wikimmedia Commons / April Nobile)
A FORMICA ARCHBOLDI DECAPITA AS SUAS ADVERSÁRIAS E USA SUAS CABEÇAS COMO DECORAÇÃO NO NINHO (FOTO: WIKIMMEDIA COMMONS / APRIL NOBILE)

Cientistas norte-americanos estão examinando de perto uma espécie de formiga da Flórida que decora seu ninho com os crânios de outras formigas que ela matou. Como se isso não fosse macabro o suficiente, eles descobriram que a formiga mata seus inimigos, os imitando, e, em seguida, os pulverizando com ácido.

Chamada de Formica Archboldi, a formiga tem sido objeto de estudo há mais de 60 anos. Seu habitat é restrito ao sudeste dos Estados Unidos e é encontrada principalmente na Flórida e em partes do Alabama e da Geórgia.

Após a sua descoberta, os especialistas logo notaram que os ninhos dos insetos estavam cheios de cabeças decapitadas de formigas Odontomachus, que são conhecidas por serem predadoras temíveis.

Em um estudo publicado na revista Insectes Sociaux, Adrian Smith, da North Carolina State University, afirma que as formigas da Flórida imitam quimicamente as Odontomachus ao fazer uma camada de cera que cobre a superfície da formiga da mesma forma que a cera que cobre a presa.

Depois, a formiga da Flórida pulveriza a adversária com ácido fórmico para imobilizá-la, a arrastando para o ninho e, em seguida, desmembrando seu corpo.

Smith disse em entrevista à Newsweek que algumas formigas têm pilhas de lixo em seus ninhos, enquanto outras descartam esse resto para fora. É possível que a Formica Archboldi seja uma espécie que deixa seu lixo em seu ninho. “É como deixar uma pilha de ossos de galinha por aí depois de comer asas”, explicou.

O pesquisador não estabeleceu uma ligação entre o mimetismo químico, uma característica evolutiva que apresenta sinais em comum com o predador ou com a presa a fim de se proteger ou atacar o outro ser vivo, e o comportamento predatório da formiga da Flórida. Ele acredita que isso é uma tática associada a parasitas sociais, espécies que invadem e se aproveitam das demais. “Normalmente, essas espécies usam o mimetismo químico para evitar a detecção e agressão de suas espécies-alvo”, disse ele. “É possível que este exemplo de mimetismo químico ainda seja útil para evitar o ataque das Odontomachus.”

De acordo com o cientista e seus colegas, mais pesquisas serão necessárias para entender a relação evolutiva entre a formiga da Flórida e as formigas carnívoras “Agora a Formica Archboldi é a espécie de formiga quimicamente mais diversa que conhecemos”, afirmou em um comunicado.

Fonte: Revista Galileu


Créditos: Ambiente Brasil