Fenômenos climáticos extremos atingiram quase 60 milhões de pessoas no mundo em 2018

Um estudo divulgado nesta semana pelo Centro para a Pesquisa sobre a Epidemiologia dos Desastres (CRED) revela que enchentes, secas, tempestades e incêndios florestais afetaram mais de 57 milhões de pessoas em todas as partes do mundo em 2018.

Em resposta à descoberta, o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) pediu na quinta-feira (24) que países adotem políticas para melhor gerenciar os desafios trazidos por fenômenos climáticos extremos.

Menina de dois anos é levada por uma assistente comunitária no campo de Kutupalong-Balukhali, em Bangladesh. A região sofreu com chuvas e tempestades pesadas em 2018. Foto: UNICEF/Modola
Menina de dois anos é levada por uma assistente comunitária no campo de Kutupalong-Balukhali, em Bangladesh. A região sofreu com chuvas e tempestades pesadas em 2018. Foto: UNICEF/Modola

Um estudo divulgado nesta semana pelo Centro para a Pesquisa sobre a Epidemiologia dos Desastres (CRED) revela que enchentes, secas, tempestades e incêndios florestais afetaram mais de 57 milhões de pessoas em todas as partes do mundo em 2018. Em resposta à descoberta, o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) pediu na quinta-feira (24) que países adotem políticas para melhor gerenciar os desafios trazidos por fenômenos climáticos extremos.

A enchentes atingiram o maior número de indivíduos — mais de 35 milhões, dos quais 23 milhões foram afetados somente no estado de Kerala, na Índia. Estima-se que as tempestades tenham sido o tipo de desastre mais custoso do ano passado, mas as perdas econômicas finais ainda não foram completamente compiladas. Os prejuízos causados pelo Furacão Michael, que inundou a costa leste dos Estados Unidos, são estimados, por exemplo, em torno de 16 bilhões de dólares.

O relatório do centro de pesquisa aponta ainda que tsunamis e terremotos foram responsáveis pela maioria de todas as 10.373 mortes registradas em situações de desastres naturais ao longo do ano do passado. Quando consideradas catástrofes que não são associadas ao clima, o número de pessoas afetadas por desastres em 2018 chega a 61,7 milhões.

Mais de 9 milhões de pessoas foram atingidas por secas em todo o mundo, com a população queniana representando um terço de todos os prejudicados. O país africano é seguido por nações da América Central (2,5 milhões de pessoas), incluindo polos de migração, como Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua.

O ano de 2018 foi de recordes para os incêndios florestais, com os EUA testemunhando a sua onda mais mortal de incêndios em um século e também a mais custosa. A Grécia também viu um número sem precedentes de mortos e feridos em meio a incêndios florestais em seu território, com 126 falecimentos.

Mami Mizutori, representante especial do secretário-geral para a Redução do Risco de Desastre, disse que, com o tempo se esgotando para limitar o aquecimento global a 1,5˚C ou mesmo 2˚C, as necessidades de adaptação às mudanças climáticas precisam ser uma prioridade.

A especialista defendeu estratégias para centros urbanos, medidas para impedir novos riscos por meio de um melhor uso da terra, um planejamento mais sólido das regulações, códigos de construção mais fortes e a preservação de ecossistemas protetivos. Mami também ressaltou a necessidade de reduzir a pobreza e tomar ações para diminuir a exposição aos níveis crescentes do mar.

A chefe do CRED, Debarati Guha-Sapir, reconheceu que o impacto humano de todos os desastres, em particular as estiagens e temperaturas extremas, é mal relatado, especialmente em países de renda baixa. Abordagens inovadoras que monitorem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS) precisam ser urgentemente avaliadas pelas agências da ONU adequadas, afirmou.

Fonte: ONU


Créditos: Ambiente Brasil

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