Estudo relaciona exploração de gás natural por ‘fracking’ a aumento nas emissões de gases estufa

Torre queima gás em unidade de fracking nos Estados Unidos — Foto: Wcn247/Visualhunt
Torre queima gás em unidade de fracking nos Estados Unidos — Foto: Wcn247/Visualhunt

Um estudo divulgado nesta quarta-feira (12) aponta que o aumento da concentração de gás metano na atmosfera nos últimos anos vem, em grande parte, da exploração do gás de xisto por meio de “fracking” (técnica também conhecida como “fraturamento hidráulico”).

A conclusão dos pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, foi publicada em artigo publicado na revista científica “Biogeosciences”. Eles analisam o aumento da concentração de gás metano na atmosfera ao longo da última década e sua relação com a crescente utilização do fracking como prática de produção de gás natural.

O metano é um dos principais gases causadores do efeito estufa. E o fracking é uma técnica de produção de gás natural considerada não convencional: uma espécie de sonda é inserida a mais de 3 mil metros de profundidade, “fraturando” as rochas para a retirada do gás natural presente em camadas quase inacessíveis.

Segundo o autor do artigo, Robert Howarth, que é professor de ecologia e biologia ambiental, é um erro atribuir a fontes biológicas o aumento da concentração de metano no ar. Pesquisas anteriores vêm associando essa elevação, principalmente, a atividades como a pecuária para produção de carne bovina.

Como foi feito o estudo

Os cientistas fizeram uma análise química da composição do metano que vem sendo emitido na atmosfera nos últimos anos. Dessa forma, conseguiram encontrar rastros de suas origens.

Essa espécie de “impressão digital química” do gás metano indica que uma grande proporção dele agora vem sendo emitida por meio do fracking. A concentração de metano na atmosfera vem aumentando especialmente desde 2008, mas também sua composição está ficando diferente.

Isso porque o metano proveniente do fracking tem características diferentes daquele emitido pelas técnicas convencionais de produção de gás natural. E também é diferente daquele metano liberado na queima de outros combustíveis fósseis, como o carvão.

A pesquisa indica que a proporção de moléculas de carbono-13 em relação ao carbono-12 é menor no metano emitido por fracking. Assim como o metano emitido por fontes biológicas, como aquele presente nos gases de animais ou exalado por terras úmidas, tem concentração de carbono-13 mais baixa do que o metano que vem dos combustíveis fósseis.

O metano proveniente do fracking tem características diferentes daquele emitido pelas técnicas convencionais de produção de gás natural — Foto: Tim Evanson/Visualhunt
O metano proveniente do fracking tem características diferentes daquele emitido pelas técnicas convencionais de produção de gás natural — Foto: Tim Evanson/Visualhunt

Metano no aquecimento global

De acordo com o estudo, os níveis de gás metano no ar aumentaram muito durante as últimas duas décadas do século 20 e depois se estabilizaram na primeira década do século 21.

Depois, houve um aumento dramático no metano atmosférico entre 2008 e 2014, passando de 570 bilhões de toneladas anuais para 595 bilhões de toneladas, por causa das emissões por atividades humanas nos últimos 11 anos.

“Reduzir as emissões de metano agora pode ser uma forma imediata de desacelerar o aquecimento global e cumprir com as metas das Nações Unidas, de manter o aumento da temperatura do planeta abaixo de 2ºC”, afirma o cientista, em nota de divulgação da pesquisa.

“Se pararmos de jogar metano na atmosfera, ele vai se dissipar”, acrescenta. “Ele vai embora rapidamente, se comparado com o dióxido de carbono (CO2). Reduzir o metano é a forma mais fácil de conter o aquecimento global.”

O cientista também diz que, ao longo da última década, cerca de dois terços de toda a nova produção de gás natural vem dos Estados Unidos e do Canadá.

Fonte: G1


Créditos: Ambiente Brasil

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