Espécie descoberta no lugar mais fundo da Terra tem plástico no estômago

Animal é batizado de E. plasticus em “homenagem” ao conteúdo de seu estômago (Foto: Weston et al., 2020, Newcastle University)

Pesquisadores da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, descobriram uma nova espécie de anfípode na Fossa das Marianas, o local mais profundo do mundo. Esse poderia ser um achado como qualquer outro, não fosse o nome dado ao animalzinho: Eurythenes plasticus.

A espécie foi batizada em “homenagem” ao que os pesquisadores encontraram eu seu estômago: plástico. Segundo o artigo publicado pela equipe no periódico Zootaxa, ao analisarem a espécie, os especialistas perceberam que dentro do seu estômago havia uma quantidade notável de tereftalato de polietileno (PET), substância encontrada em itens como garrafas de água e roupas de ginástica.

“Decidimos pelo nome Eurythenes plasticus, pois queríamos destacar o fato de que precisamos tomar medidas imediatas para impedir o dilúvio de resíduos plásticos em nossos oceanos”, afirmou o líder da pesquisa, Alan Jamieson, em comunicado.

Nova espécie de anfípode foi encontrado na Fossa das Marianas, o local mais profundo do mundo. Especialistas descobriram grande quantidade de plástico no trato digestivo do animal (Foto: Weston et al., 2020, Newcastle University)

De acordo com os especialistas, uma vez que o plástico vai parar na água, ele se decompõe em microplástico — o que torna seu poder de contaminação muito maior, pois o lixo se espalha com mais facilidade e é ingerido por animais marinhos, como o E. Plasticus. “As espécies recém-descobertas nos mostram quão abrangentes são as consequências do nosso manuseio inadequado de resíduos plásticos”, disse Heike Vesper, diretora do Programa Marítimo da ONG WWF Alemanha.

Segundo ela, a cada minuto pelo menos um caminhão carregado de lixo plástico é descartado nos oceanos. “Existem espécies que vivem nos lugares mais profundos e remotos da Terra que já ingeriram plástico antes mesmo de serem conhecidas pela humanidade. Os plásticos estão no ar que respiramos, na água que bebemos e agora também nos animais que vivem longe da civilização humana”, observou Vesper.

Fonte: Revista Galileu


Créditos: Ambiente Brasil

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