Custo da mudança climática para a saúde é o dobro do preço de evitá-la

Partículas finas de poluição são os novos inimigos da nossa saúde, dizem especialistas em saúde pública (Foto: Pixabay)
PARTÍCULAS FINAS DE POLUIÇÃO SÃO OS NOVOS INIMIGOS DA NOSSA SAÚDE, DIZEM ESPECIALISTAS EM SAÚDE PÚBLICA (FOTO: PIXABAY)

Somente a poluição do ar pode custar um milhão de vidas por ano até 2050 se os países não cumprirem o Acordo de Paris. A afirmação é do relatório da Organização Mundial da Saúde, lançado nesta quarta (5) na COP-24, em Katowice, na Polônia.

Atualmente, a exposição à poluição do ar causa sete milhões de mortes em todo o mundo a cada ano e custa cerca de US$ 5,11 trilhões em perdas de bem-estar globalmente. Nos 15 países que mais emitem gases de efeito estufa (que também são os mais desenvolvidos), estima-se que os impactos na saúde da poluição do ar custem mais de 4% de seu PIB. Já as ações para atingir as metas de Paris custariam cerca de 1% do PIB global.

“O Acordo de Paris é potencialmente o mais forte acordo de saúde deste século”, disse o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Fica claro que a mudança climática já está tendo um impacto sério na vida e na saúde humana. Ameaça os elementos básicos que todos nós precisamos para uma boa saúde — ar limpo, água potável segura, fornecimento nutritivo de alimentos e abrigo seguro — e minará décadas de progresso na saúde global. Não podemos mais atrasar a ação.”

As mesmas atividades humanas que estão desestabilizando o clima da Terra também contribuem diretamente para a saúde precária. O principal motor da mudança climática é a queima de combustíveis fósseis, um dos principais contribuintes para a poluição do ar.

“O verdadeiro custo da mudança climática é sentido em nossos hospitais e pulmões. O ônus da saúde das fontes poluidoras de energia agora é tão alto que mudar para escolhas mais limpas e sustentáveis ​​para o fornecimento de energia, transporte e sistemas alimentares se paga efetivamente”, diz Maria Neira, Diretora de Saúde Pública, Determinantes Ambientais e Sociais da OMS. “Quando a saúde é levada em conta, a mitigação das mudanças climáticas é uma oportunidade, não um custo.”

Mudar para fontes de energia com baixo teor de carbono não só melhorará a qualidade do ar, como também proporcionará oportunidades adicionais para benefícios imediatos à saúde. Por exemplo, a introdução de opções ativas de transporte, como o ciclismo, ajudará a aumentar a atividade física que pode ajudar a prevenir doenças como diabetes, câncer e doenças cardíacas.

O relatório
O Relatório Especial da COP-24 da OMS: saúde e mudança climática fornece recomendações para os governos sobre como maximizar os benefícios de saúde para enfrentar as mudanças climáticas e evitar os piores impactos.

O documento descreve como países do mundo inteiro estão tomando medidas para proteger vidas dos impactos da mudança climática, mas que a escala de apoio permanece inadequada, principalmente para os pequenos estados insulares em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos. Apenas cerca de 0,5% dos fundos multilaterais para o clima dispersos para a adaptação às mudanças climáticas foram alocados a projetos de saúde.

Os países da ilha do Pacífico contribuem com 0,03% das emissões de gases de efeito estufa, mas estão entre os mais afetados por seus impactos. Para os países insulares do Pacífico, ações urgentes para lidar com a mudança climática — incluindo o resultado da COP-24 desta semana — são cruciais para a saúde de seu povo e sua própria existência.

“Agora temos uma compreensão clara do que precisa ser feito para proteger a saúde das mudanças climáticas, de instalações de saúde mais resilientes e sustentáveis, a sistemas de alerta aprimorados para clima extremo e surtos de doenças infecciosas. Mas a falta de investimento está deixando os mais vulneráveis ​​para trás”, disse Joy St John, diretora-geral assistente para o clima e outros determinantes de saúde.

O relatório pede que os países prestem contas da saúde em todas as análises de custo-benefício da mitigação das mudanças climáticas. Também recomenda que os países utilizem incentivos fiscais, como a precificação de carbono e subsídios de energia, para incentivar os setores a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e poluentes atmosféricos. Além disso, incentiva as Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) a remover as barreiras existentes ao apoio a sistemas de saúde resilientes ao clima.

Fonte: Revista Galileu


Créditos: Ambiente Brasil