Conheça o peixe que respira fora d’água – e está sendo procurado pelos EUA

(Brian Gratwicke/Creative Commons)

Você conhece o peixe cabeça-de-cobra (Channa argus)? Nativo da Ásia, comum em países como China, Rússia e Coreias, esse bicho de água doce é conhecido por ter uma cabeça longa e boca grande, semelhante a uma cobra – como você pode ver na imagem acima. Mas sua característica mais marcante é uma curiosa anomalia: ele respira fora d’água.

Na verdade, a espécie desenvolveu órgãos respiratórias que conseguem retirar o oxigênio do ar, permitindo a sobrevivência dele fora d’água por vários dias. Como todo bom peixe, é claro, seu corpo funciona melhor na água. Mas essa tolerância aérea vem a calhar, porque o peixe consegue se deslocar entre diferentes sistemas de água doce – ir de um lago para um rio próximo, por exemplo.

Até aqui, essa parece ser a história de uma belo peixinho que se adaptou até a terra para lutar por sua sobrevivência, certo? Não é bem por aí: o cabeça-de-cobra acabou saindo de sua terra natal e virando uma praga do outro lado do mundo, nos EUA. Hoje, ele já se espalhou por 15 estados por lá e está causando um estrago na fauna local.

Como uma espécie exótica, o bicho não tem predadores nessa região que controlem o tamanho de sua população. Acontece que ele próprio é um predador voraz, representando uma grande ameaça a peixes menores, anfíbios, crustáceos e outras espécies nativas, além de se mostrar bastante agressivo com humanos quando está protegendo seus filhotes. Uma fêmea do cabeça-de-cobra deposita até 100.000 ovos por ano, o que faz com que a proliferação da espécie em novos ecossistemas seja rápida e devastadora.

O problema com esse bicho não vem de hoje: sua primeira aparição nos EUA foi em 2002, quando uma infestação da espécie foi descoberta em um lago de Crofton, Maryland. A situação era tão séria e comprometedora ao habitat que as autoridades estaduais optaram por envenenar todo o local e matar o mal pela raiz. Ao fim da operação, recolheram as carcaças de mais de 500 cabeça-de-cobra recém-nascidos. O caso ficou tão conhecido inspirou filmes de terror como Mutantes Assassinos (Snakehead Terror, 2004) e Frankenfish – Criatura Assassina (Frankenfish, 2004).

Na época, a repercussão do problema chegou ao governo: o cabeça-de-cobra recebeu status de vida selvagem prejudicial sob a Lei Federal Lacey, que proíbe a importação e o transporte interestadual de peixes e animais selvagens.

Apesar da intensa cobertura midiática e atenção política, o aumento da conscientização não impediu que ele continuasse se espalhando. Em 2004, o bicho foi encontrado no rio Potomac, Washington, D.C, e, desde então, estabeleceu uma comunidade em expansão. De lá pra cá, lentamente, ele foi se proliferando até chegar no assustador patamar atual.

Recentemente, o último lugar que registrou o bicho foi a Georgia:

A Divisão de Recursos da Vida Selvagem do Departamento de Recursos Naturais da Geórgia emitiu um comunicado oficial sobre o caos nesta terça-feira (15/10), com instruções claras: “Mate-o imediatamente (lembre-se, ele pode viver na terra)” e “NÃO O LIBERTE.” – assim mesmo, em caps lock e negrito.

“Nossa primeira linha de defesa na luta contra espécies invasoras aquáticas, como cabeça-de-cobra, são nossos pescadores”, disse Matt Thomas, Chefe de Pesca da Divisão de Recursos da Vida Selvagem no comunicado. “Graças ao rápido relato de um pescador, nossa equipe conseguiu investigar e confirmar a presença dessa espécie em um corpo d’água da região. Agora estamos tomando medidas para descobrir se eles se espalharam a partir desse local e, esperançosamente, impedir que ele se espalhe para outras águas da Geórgia.”

Para que a população possa ajudar nessa luta contra o invasor, alguns estados, como Nova York, estão até ensinando como diferenciar esse bicho de outras espécies nativas, como na imagem abaixo (acima é o cabeça-de-cobra).

 (DEC-New York State/Reprodução)

Felizmente, não a notícias desse peixe por águas brasileiras. Por via das dúvidas, você já sabe como é o bicho. Se o vir por aí, não esqueça de comunicar imediatamente o Ibama.

Fonte: Ingrid Luisa – Super Interessante


Créditos: Ambiente Brasil

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