Comissão da ONU lança observatório latino-americano de energias renováveis

Iniciativa da Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL) funcionará como uma plataforma de assistência técnica e cooperação Sul-Sul, permitindo diálogo entre os países e apoio a projetos nacionais.

Em 2016, 14 milhões de pessoas vivendo na região ainda não tinham acesso a energia elétrica. Em alguns países, mais de 5% da população vive no escuro.

CEPAL vê potencial no uso de energia eólica para produção de eletricidade na América Latina e Caribe. Foto: EBC
CEPAL vê potencial no uso de energia eólica para produção de eletricidade na América Latina e Caribe. Foto: EBC

A Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL) lançou nesta semana (30) o Observatório Regional de Energias Sustentáveis. Iniciativa funcionará como uma plataforma de assistência técnica e cooperação Sul-Sul, permitindo diálogo entre os países e apoio a projetos nacionais.

Na avaliação do organismo da ONU, a região avançou na universalização da energia elétrica. Em 2000, 43,6 milhões de pessoas não tinham eletricidade. Dezesseis anos mais tarde, o número caiu para 14 milhões. De 1990 para 2016, as desigualdades de acesso a energia entre o campo e as cidades caíram de 31% para 5,1%. Mas lacunas consideráveis perduram, aponta a CEPAL. Em algumas nações, mais de 5% da população continua no escuro, sobretudo nas zonas rurais.

O Observatório Regional foi anunciado durante o II Fórum Técnico Regional de Planejadores Energéticos, que aconteceu na terça-feira (30) em Santiago, Chile, na sede da CEPAL. Com recursos do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas, o novo organismo vai fortalecer as capacidades dos países para conceber e implementar políticas de produção e distribuição de energia.

A instituição vai ajudar os Estados-membros da CEPAL a cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) de nº 7 — assegurar o acesso universal e barato a energia, aumentar a participação de fontes renováveis nas matrizes energéticas e dobrar melhorias de eficiência até 2030.

Segundo a comissão da ONU, a América Latina e o Caribe têm um potencial abundante para explorar a energia solar e eólica. Outro tema que merece mais atenção, de acordo com a comissão, é a complementaridade energética regional — quando governos se articulam para compartilhar redes de fornecimento e produção de eletricidade.

Durante o encontro de especialistas em Santiago, o vice-chefe da CEPAL, Mario Cimoli, reiterou o compromisso da comissão em promover matrizes energéticas eficientes e ambientalmente responsáveis, que apoiem a inclusão social e mudanças estruturais.

O Observatório Regional será administrado pela Divisão de Recursos Naturais e Infraestrutura da CEPAL. Uma das missões da instituição será integrar diferentes iniciativas já existentes no setor de energia, como o Programa Base de Indicadores de Eficiência Energética (BIEE), o programa Complementaridade Energética e Desenvolvimento Sustentável (ECOSUD) e o próprio fórum técnico.

Fonte: ONU


Créditos: Ambiente Brasil