Colônias de formigas têm memórias coletivas que duram décadas

Colônia de formigas processa memórias quase como o cérebro humano (Foto: Wing-Chi Poon/Wikimedia Commons)
COLÔNIA DE FORMIGAS PROCESSA MEMÓRIAS QUASE COMO O CÉREBRO HUMANO (FOTO: WING-CHI POON/WIKIMEDIA COMMONS)

Uma colôniade formigas pode prosperar por décadas, mudando seu comportamento a partir de aprendizados que ocorreram em eventos passados, mesmo com a morte das formigas integrantes. Em novo artigo, a professora de biologia da Universidade Stanford, Deborah M. Gordon, cita os casos das formigas carpinteiro, que se recordam coletivamente dos locais onde achar comida. Já a espécie da formiga prateada, comum no Deserto do Saara, anda pela areia em busca de alimentos, e parece lembrar a distância percorrida para chegar até o local.

Outro caso que chamou a atenção da pesquisa é a colônia da espécie Formica rufa, que se lembra das trilhas até às mesmas árvores, ano após ano, embora nenhuma formiga faça o caminho sozinha. Nas florestas da Europa, elas sobem em árvores altas para se alimentarem das excreções de pulgões. Cada formiga faz a mesma trilha até a mesma árvore. Durante o inverno, elas se amontoam sob a neve. Quando as formigas emergem na primavera, uma mais velha sai ao lado de uma jovem pelo o caminho habitual. A formiga mais velha morre e a mais nova adota a trilha como sua, levando a colônia a lembrar do trajeto.

Colônia de formica rufa (Foto: Pixabay/Hans/Creative Commons)
COLÔNIA DE FORMICA RUFA (FOTO: PIXABAY/HANS/CREATIVE COMMONS)

O comportamento da colônia muda constantemente, e o que acontece em uma dia afeta o seguinte. “Conduzi uma série de experimentos de perturbação. Coloquei palitos de dente ou bloqueei as trilhas para que os formigas tivessem que trabalhar mais ou para criar um distúrbio que elas tentassem repelir”, afirmou Gordon em artigo publicado no periódico Aeon. “Cada experimento afetou apenas um grupo diretamente, mas a atividade de outros grupos de trabalhadoras mudou, porque elas decidem se são ativas dependendo dos encontros com os operárias de outras tarefas.”

“Depois de apenas alguns dias repetindo o experimento, as colônias continuaram a se comportar da mesma forma que quando foram perturbadas, mesmo depois que as perturbações pararam”, acrescentou Gordon. “As formigas tinham trocado de tarefas e posições na colônia e assim os padrões levaram um tempo para voltar ao estado anterior. Nenhuma formiga individual lembrava de nada, mas, em certo sentido, a colônia lembrava.” Em resposta a perturbações, o comportamento de colônias maiores e mais antigas é mais estável que o de colônias mais jovens.

Segundo a pesquisadora, as colônias vivem de 20 a 30 anos, por causa do tempo de vida da rainha. Já as demais formigas vivem no máximo um ano.

Deborah M. Gordon, bióloga e especialista em formigas (Foto: Reprodução/YouTube/Stanford SIS User)
DEBORAH M. GORDON, BIÓLOGA E ESPECIALISTA EM FORMIGAS (FOTO: REPRODUÇÃO/YOUTUBE/STANFORD SIS USER)

“Em suma, as colônias maiores e mais velhas crescem para agir com mais sabedoria do que as menores, embora a antiga não tenha formigas mais velhas e sábias”, afirmou Gordon.

De acordo com a bióloga, é possivel que as colônias se lembrem de um distúrbio do passado porque mudou a localização das formigas, levando a novos padrões de interação, o que pode até reforçar o novo comportamento durante a noite, enquanto a colônia está inativa.

“Mudanças no comportamento das colônias devido a eventos passados ​​não são a simples soma de memórias de formigas, assim como mudanças no que nos lembramos”, comentou Gordon. “Em vez disso, suas memórias são como as de uma colônia de formigas: nenhum neurônio em particular lembra de nada, embora seu cérebro faça isso.”

Fonte: Revista Galileu


Créditos: Ambiente Brasil

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