Cientistas transformam excrementos humanos em biocombustível renovável

"Cocô" é a palavra que mais nos difere das máquinas (Foto: Flickr / SarahC1973)
(FOTO: FLICKR / SARAHC1973)

Um grupo de cientistas daUniversidade Ben-Gurion do Neguev, em Israel, desenvolveu um método para converter excrementos humanos em um tipo de biocombustível renovável. De acordo com eles, a solução poderia ser utilizada para resolver problemas como falta de saneamento básico e energia.

Em estudo publicado no periódico científico Journal of Cleaner Production, os pesquisadores explicam que processo se chama “carbonização hidrotermal” e consiste no aquecimento dos dejetos em três temperaturas diferentes (180ºC, 210ºC e 240ºC) por períodos de 30, 60 e 120 minutos.

O calor esteriliza os excrementos humanos e os converte em uma substância sólida rica em carbono chamada hidrochar, que é segura e pode ter diferentes aplicações, desde aquecimento até fertilizante rico em nutrientes.

“Os excrementos humanos são considerados perigosos por seu potencial de transmitir doenças”, afirmou Amit Gross, pesquisador do Departamento de Hidrologia e Microbiologia Ambiental da Universidade Ben-Gurion, em anúncio.

“Ao mesmo tempo que é rico em matéria orgânica, com nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio, os dejetos humanos também contêm micropoluentes que podem causar problemas ambientais se não forem descartados ou reutilizados de forma correta.” Para o cientista, o método que desenvolveu com seus colegas resolveria esses dois problemas.

No Brasil
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), os dois principais biocombustíveis líquidos usados no país são o etanol da cana-de-açúcar e o biodisel de óleos vegetais e gorduras animais. Por volta de 45% da energia e 18% dos combustíveis consumidos no Brasil são renováveis.

Apesar de crescer no âmbito dos biocombustíveis, o país ainda tem dificuldades em lidar com o saneamento básico: dados recentes do Instituto Trata Brasil mostram que 55% dos excrementos são despejados na natureza, o equivalente a 5,2 bilhões de metros cúbicos.

O país tem como meta universalizar serviços de saneamento até 2030.

Fonte: Revista Galileu


Créditos: Ambiente Brasil