Chefe da ONU pede que comunidade internacional leve a sério as mudanças climáticas

Citando o aumento das temperaturas globais e a redução da camada de gelo do Ártico para níveis nunca antes vistos, António Guterres afirmou que incidentes relacionados a desastres naturais poderão custar em torno de US$ 21 trilhões ao mundo até 2030.

Em coletiva de imprensa na véspera da cúpula do G20, secretário-geral da ONU pediu um maior compromisso com o Acordo de Paris.

Formação de gelo no Ártico, próxima à cidade de Svalbard, na Noruega. Foto: ONU/Mark Garten

Em coletiva de imprensa na véspera da cúpula do G20, em Buenos Aires, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou na quinta-feira (29) que mudanças climáticas e suas consequências precisam ser levadas a sério pela comunidade internacional.

Citando o aumento das temperaturas globais e a redução da camada de gelo do Ártico para níveis nunca antes vistos, Guterres afirmou que, se a situação continuar como está, incidentes relacionados a desastres naturais irão custar em torno de 21 trilhões de dólares ao mundo até 2030.

“Quando vemos a multiplicação de desastres naturais, que estão se tornando mais intensos, mais dramáticos, com mais consequências humanas trágicas, fica claro que a realidade é mais dramática do que as previsões que fizemos”, disse.

Guterres ressaltou a necessidade de um maior compromisso com o programa de trabalho do Acordo de Paris, adotado em 2015. Segundo o secretário-geral, há um desaparecimento da força de vontade pública, que deve ser retomada em todos os níveis da sociedade para que os objetivos do tratado sejam alcançados.

“Há decisões políticas muito importantes que os Estados, que grupos de Estados, precisam tomar se quisermos viver em um planeta habitável no futuro”, acrescentou.

O Acordo de Paris foi ratificado por 184 partes e entrou em vigor em novembro de 2016, tendo entre suas metas o aumento do financiamento para ações climáticas. O documento também prevê o desenvolvimento de planos climáticos nacionais até 2020.

Em linha com as afirmações de Guterres, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a ONU Meio Ambiente e o Banco Mundial afirmaram em relatório na quinta-feira que governos precisam adotar uma agenda mais transformadora, com base em investimentos resilientes ao clima e com baixa emissão de carbono, se quiserem cumprir o Acordo de Paris.

As três organizações internacionais destacaram que transporte, construções e infraestrutura de água representam mais de 60% das emissões de gases causadores do efeito estufa. As instituições estabeleceram seis meios para colocar fluxos financeiros públicos e privados na mesma página do tratado firmado na capital francesa.

Entre as recomendações, estão o fortalecimento de governos municipais para reduzir emissões em centros urbanos, a promoção da sustentabilidade fiscal e o investimento em inovação para acelerar a transição para tecnologias, serviços e negócios de baixo carbono. O documento elaborado pela ONU Meio Ambiente e seus parceiros pode ser acessado.

Uma análise da OCDE aponta que migrar o investimento de infraestrutura para opções de baixo carbono, em conjunto com reformas estruturais, poderia aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) global em 5% até 2050 e, ao mesmo tempo, reduzir emissões. Segundo a Organização, governos investem atualmente 500 bilhões de dólares por ano em subsídios para petróleo, carvão e gás. Na avaliação do organismo, os Estados devem ampliar o gasto público em esforços para descarbonizar as economias.

A cúpula do G20 teve início nesta sexta-feira (30) na capital da Argentina. O encontro de chefes de Estado se encerra no sábado, um dia antes da Conferência anual da ONU sobre Mudanças Climáticas, que começa no domingo (2), em Katowice, na Polônia.

O evento no país europeu vai reunir milhares de pessoas de todo o mundo, entre elas líderes, especialistas e representantes do setor privado e de comunidades locais, para trabalhar em um plano de ação coletivo a fim de implementar os compromissos do Acordo de Paris.

Fonte: ONU


Créditos: Ambiente Brasil