CBCS realiza evento de encerramento da fase piloto do Projeto Cidades Eficientes

Projeto Cidades Eficientes do CBCS_Foto André Arcênio.jpg
Evento de encerramento da fase piloto do Projeto Cidades Eficientes do CBCS |Foto: André Arcênio.

CBCS – Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, com apoio e financiamento do iCS – Instituto Clima e Sociedade,  realizou no último dia 27 de novembro o evento de encerramento da fase piloto do Projeto Cidades Eficientes, na cidade de Florianópolis, Santa Catarina. A iniciativa objetiva estimular a adoção de políticas públicas que viabilizem reduções efetivas de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) nos edifícios públicos. O painel de abertura do evento contou com a participação do presidente do CBCSOlavo Kucker Arantes, do conselheiro e gestor do CT Energia do CBCSRoberto Lamberts, da coordenadora executiva do CBCS,Clarice Degani, do coordenador do Portfólio de Energia do iCS, Roberto Kishinami, do secretário municipal de administração de FlorianópolisEverson Mendes, e do diretor da região metropolitana do IPUF de FlorianópolisMichel Mittman.

Após a realização de chamada pública nacional divulgada em março deste ano, 130 municípios de 21 estados brasileiros inscreveram-se para participar do processo de seleção. Três cidades foram selecionadas para a fase piloto: Florianópolis, em Santa Catarina; Jaboatão dos Guararapes, em Pernambucoe Sorocaba, em São Paulo. “Recebemos mais inscrições do que esperávamos. O foco do projeto eram municípios com população entre 200.000 e 2.000.000 de habitantes e eles poderiam participar de forma ativa, como piloto, ou passiva, acessando conhecimento que está sendo gerado pela iniciativa”, explicou a arquiteta Maria Andrea Trianacoordenadora da equipe técnica do Projeto Cidades Eficientes do CBCS. Ela explicou que alguns critérios foram essenciais para a seleção das cidades: experiência anterior comprovada em programas relacionados aos eixos estruturantes do projeto; equipe especializada disponível para trabalhar junto à equipe técnica do Projeto, além de interesse e vontade política para implementar as ações. Triana apontou que de todos os inscritos, 65 encontravam-se dentro da faixa alvo do projeto. Destes, 20 passaram por uma sessão de entrevistas até chegar no seleto grupo dos três municípios piloto. As entrevistas possibilitaram levantamento de dados relevantes que fortaleceram ainda mais a importância da iniciativa. O diagnóstico desta etapa elaborado pelo CBCS está disponível para a leitura online na íntegra. 

Evento de encerramento da fase piloto | Painel Projeto Cidades Eficientes do CBCS

O evento do dia 27 marcou o encerramento da fase de assessoria técnica junto aos órgãos municipais das cidades piloto. Esta etapa englobou a coleta e análise de dados, análise de projetos e visitas a edificações de acordo com a necessidade de cada município; oficinas de capacitação e treinamento nas áreas do projeto; apoio na implementação de políticas públicas e medidas de redução de consumo de água e energia, bem como uma pesquisa de mobilidade.

Sob a coordenação da arquiteta Maria Andrea Triana e do engenheiro Edward Borgstein, a equipe técnica do CBCS atuou junto aos municípios sendo composta pelo engenheiro ambiental Alexandre Schinazi, pela administradora de políticas ambientais Carolina Griggs, pela engenheira ambiental Isabela Issa, e pela arquiteta Rosane Fukuoka. Em ocasião do segundo painel do evento, a equipe técnica do Projeto apresentou importantes informações sobre a fase piloto, em especial referente ao trabalho da coleta de dados. Em nome da coordenação da equipe técnica, a arquiteta Andrea Triana apresentou o novo web site do Projeto Cidades Eficientes do CBCS,que será atualizado de modo contínuo e já permite acesso público ao Guia online de Melhores Práticas para municípios brasileiros.

Já uma das integrantes da equipe técnica, a pesquisadora Issa falou sobre a dificuldade dos municípios em criar e gerenciar um banco de dados sobre o consumo de água e energia nos edifícios. Ela ressaltou que muitas vezes os dados de consumo vão diretamente para a administração e os gestores dos prédios não têm conhecimento deste consumo. “Vimos casos de escolas que estavam com vazamento e o gestor não sabia porque não é ele quem recebe a conta. A realidade de quem cuida das faturas é outra, está preocupado com o que vai pagar no próximo mês ou faz uma comparação com os últimos três meses”, pontuou. Issa sugeriu que o ideal seria um comparativo de pelo menos um ano, bem como indicou que é necessário uma comparação com os demais prédios públicos de tipologias similares. “O potencial de uma plataforma centralizada com estes indicadores é enorme”, completou.

Schinazi expôs sobre as visitas realizadas nos edifícios dos três municípios, Florianópolis, Jaboatão dos Guararapes e Sorocaba, com alguns exemplos de boas práticas e pontos de melhorias. Ele mostrou alguns casos de iluminação que acabam prejudicando a eficiência energética, tais como: o uso de luminárias escuras que absorvem parte da luz e lâmpadas acesas em locais com boa iluminação natural. O engenheiro defende que alterações necessárias não são apenas questão de custo, mas também de conscientização. “É barato mudar todas as lâmpadas para led? Não, mas podemos mudar a política de compras para à medida que as lâmpadas queimem sejam substituídas pelas de led”, explica Schinazi. De acordo com ele, esta simples mudança pode gerar uma redução de até 50% no consumo de energia.

Evento de encerramento da fase piloto | Painel com cidades piloto

Em ocasião do evento, os coordenadores das equipes técnicas dos três municípios selecionados para a fase piloto também puderam relatar os desafios e aprendizados ao participar do Projeto Cidades Eficientes do CBCSCibele Assmann Lorenziarquiteta urbanista, representando a prefeitura de Florianópolis, mostrou alguns programas já implementados na cidade e que estão alinhados aos eixos temáticos do Projeto. “A nossa expectativa é fortalecer ainda mais algumas ações que já estávamos realizando e integram os nossos esforços para atingir eficiência na gestão de recursos como energia e água, agora com mais bases técnicas e repertório especializado oriundos do trabalho vivenciado no Projeto”, expressou. Lorenzi acredita que a participação no Projeto Cidade Eficientes irá contribuir para o fortalecimento de algumas ações já implementadas, tais como: a elaboração do primeiro Inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE), que inclui o Estudo de Mitigação e Mudanças do Clima, com diversos desdobramentos relacionados à redução das emissões de CO2 eq, e a elaboração do Plano de Ação Florianópolis Sustentável. 

coordenador da Secretaria de Desenvolvimento da prefeitura de Jaboatão dos GuararapesRoberto Castelo Branco, destacou as ações implementadas pelo município que foram essenciais para a participação como cidade piloto na iniciativa do CBCS, entre as quais se destacam: a centralização das secretarias em um novo complexo administrativo para uma gestão mais eficiente, o programa de coleta seletiva, e a reestruturação da Enlume (Empresa Municipal de Energia e Iluminação). Ele destacou alguns pontos de melhoria para o município propiciados pelo Projeto. O primeiro deles é a uniformização do controle do consumo de água e energia por todas as secretarias, uma ação que poderá permitir à administração pública analisar indicadores e repensar soluções, sempre em busca de conscientizar cada vez mais pessoas sobre a importância do viés comportamental aliado à implementação da inovação tecnológica para atingir índices melhores em ações de sustentabilidade. “Durante a fase de capacitação do Projeto, vimos secretarias que vislumbraram que se elas conseguissem uma meta de economizar 10%, teriam o retorno de um recurso financeiro que faz falta”, afirmou. 

A técnica ambiental da Secretaria do Meio Ambiente, Parques e Jardins (SEMA) da prefeitura de Sorocaba, Sara Regina de Amorim, acredita que o aprendizado das novas tecnologias disponíveis irá fortalecer o que a cidade do interior paulista já vem trabalhando por meio de outros projetos, como por exemplo, o projeto “Urban-LEDS II: Acelerando a ação climática por meio da promoção de Estratégias de Desenvolvimento Urbano de Baixo Carbono”, implementado pelo ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade e ONU-Habitat e financiado pela Comissão Europeia, que visa promover estratégias de desenvolvimento urbano de baixo carbono em países emergentes. “Ao longo da primeira fase do Urban LEDS que foi de 2012 a 2016, conseguimos trazer esta agenda de promover esforços frente aos desafios das mudanças climáticas para o município. No início é difícil lidar com esta agenda porque parece algo não muito próximo, mas a partir do momento que destrinchamos e consideramos as prioridades de cada secretaria, bem como o modo mais efetivo para que todas participassem, ficou mais fácil e as pessoas aderiram, o que gerou avanços consideráveis em nossa cidade”, defendeu. 

Evento de encerramento da fase piloto | Painel sobre obtenção de recursos

Finalizando as apresentações, o último painel do evento tratou da viabilização e execução de projetos relacionados aos eixos temáticos do Projeto Cidades Eficientes do CBCS: eficiência energética, uso racional de água, mobilidade urbana e geração distribuída de energia. Para falar sobre a questão, estavam presentes Thiago Jeremiasgerente do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da Celesc – Centrais Elétricas de Santa Catarina, e Odirlei Sudatti, da Gerência Executiva do Governo da Caixa Econômica Federal – Florianópolis.  

Sudatti apresentou o Financial Instruments for Brazil Energy Efficient Cities – FinBRAZEEC, projeto de assistência técnica desenvolvido nos últimos anos pelo Banco Mundial e concebido como um programa a ser implementado pelo próprio Banco Mundial (entidade acreditada junto ao Fundo Verde do Clima do Ministério da Fazenda – GCF) em parceria com a Caixa Econômica Federal (entidade executora). Em conjunto com atores locais relevantes, o FinBRAZEEC buscou mapear as oportunidades de ampliação de eficiência energética e redução de Gases de Efeito Estufa (GEE) nas cidades brasileiras. A análise realizada constatou que, a despeito da existência de oportunidades de investimento economicamente viáveis nos setores escolhidos e mapeados, há barreiras financeiras e de estruturação de projetos que impedem a realização dos mesmos. Nesse sentido, o FinBRAZEEC* traz ao Brasil soluções financeiras que podem viabilizar investimentos.  

Já Thiago Jeremias falou sobre algumas ações da Celesc em Florianópolis que estão alinhadas às premissas de sustentabilidade doProjeto Cidades Eficientes do CBCS, sobretudo relacionadas à temática da mobilidade urbana. Jeremias abordou o conceito de cidades inteligentes e detalhou soluções que já foram implementadas em Santa Catarina em busca da ampliação do uso de carros elétricos. Entre os destaques se destaca o projeto Eletroposto Celesc, iniciativa que propõe um novo modelo de infraestrutura de carregamento de veículos elétricos. Na ocasião, Jeremias detalhou as características especificas do “corredor elétrico catarinense”, que possui sete estações de recarga, bem como compartilhou informações sobre o projeto de pesquisa da Celesc voltado para a Internet das Coisas (IoT) e os projetos de identificação de consumo residencial de energia. Também apresentou o funcionamento e as formas participar das chamadas públicas realizadas pela distribuidora de energia catarinense.  

O Projeto Cidades Eficientes do CBCS

Estruturado em quatro eixos temáticos – eficiência energética, uso racional de água, mobilidade urbana e geração distribuída de energia, a fase piloto do Projeto Cidades Eficientes do CBCS gerou conhecimento direcionado aos governos municipais. Entre outras informações disponíveis na web, o site do Projeto permite acesso público ao Guia online de Melhores Práticas para municípios brasileirosconfira no link: http://cidadeseficientes.cbcs.org.br.

Sobre o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável – CBCS 

O CBCS é uma OSCIP criada em agosto de 2007 e se posiciona como ativo interlocutor e fórum independente para discussões subsidiadas pela ciência, contando com a participação do poder público, do poder privado, da academia e da sociedade civil. O CBCS, através de seus posicionamentos e projetos que executa, se propõe a criar e disseminar conhecimentos e boas práticas, mobilizando a cadeia produtiva para a sustentabilidade do setor da construção civil brasileira.

Fonte: CBCS


Créditos: Ambiente Brasil