Bolsonaro pretende compatibilizar desenvolvimento e meio ambiente

 

Presidente Jair Bolsonaro, na base aérea de Brasília, em 4 de janeiro de 2019

O presidente Jair Bolsonaro prometeu, nesta terça-feira (22), em um curto discurso no Fórum de Davos, equilibrar o desenvolvimento econômico do Brasil com a preservação do meio ambiente. Ele ainda garantiu que a “esquerda não prevalecerá” na América Latina.

“O meio ambiente tem que estar casado com o desenvolvimento (…) Pretendemos estar sintonizados com o mundo na busca da diminuição de CO2 e na preservação do meio ambiente”, afirmou em discurso ante a elite política e econômica do mundo.

Bolsonaro destacou que a agricultura ocupa apenas 9% do território nacional, e o setor do agronegócio, 20%. “Somos o país que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós”, afirmou.

Sem dar maiores detalhes, o presidente citou as reformas que presente fazer – como abrir o país ao comércio internacional e reduzir a carga tributária – e destacou o combate à corrupção e o fim do “viés ideológico”.

“Não queremos uma América bolivariana como até há pouco tempo existiu (…) A esquerda não prevalecerá nesta região. O que é muito bom, no meu entender, não só para a América do Sul, mas também para o mundo”, afirmou ainda.

“Gozamos de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós”, garantiu.

Este é a primeira viagem de Bolsonaro ao exterior desde que tomou posse em 1 de janeiro. Ele se tornou um dos protagonistas do fórum anual de Davos na ausência de grandes líderes como Donald Trump, Theresa May ou Emmanuel Macron, imersos em suas próprias crises internas.

Na segunda-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) deu um impulso à economia do país em suas novas previsões. Segundo o FMI, a maior economia da América Latina está no caminho da recuperação após a recessão de 2015 e 2016: foi previsto um crescimento revisado em 0,1 ponto, a 2,5%, em 2019.

Bolsonaro está na mira de organizações e organismos internacionais por suas posições céticas quanto ao clima e, em particular, por sua gestão da Amazônia.

“Naturalmente, estamos preocupados com a chegada de Bolsonaro ao poder, particularmente no que afeta os povos indígenas e a Amazônia”, disse o diretor-geral da WWF, Marco Lambertini, à AFP.

“Nossa mensagem para o Bolsonaro é que ele não acredite que o povo brasileiro não se preocupa com o meio ambiente, com a Amazônia, com o desenvolvimento sustentável e que não interprete mal por que foi eleito”, acrescentou.

– Filho sob pressão –

Acompanham-no na comitiva presidencial outro filho, o deputado federal por São Paulo, Eduardo Bolsonaro; e os ministros da Economia, Paulo Guedes; das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; e da Justiça, Sérgio Moro, entre outras autoridades, segundo a Agência Brasil.

Sua estreia como presidente em um evento internacional ocorre em um momento em que aumenta a pressão sobre seu filho mais velho, Flávio Bolsonaro, deputado estadual e senador eleito, com posse prevista para 1º de fevereiro, vinculado a uma série de movimentações bancárias consideradas suspeitas.

Segundo Bruno Binetti, um especialista do think tank Inter-American Dialogue, “não está claro se as ideias liberais de Guedes são compatíveis com o nacionalismo dos ex-militares que integram o gabinete de Bolsonaro”.

A situação regional também está na agenda de Bolsonaro no Fórum, onde ele tem um jantar planejado com seus colegas da Colômbia, do Equador, do Peru e da Costa Rica.

Fonte: AFP


Créditos: Ambiente Brasil