Áreas de proteção ambiental já cobrem 15% da superfície terrestre, diz ONU

Em torno de 15% da superfície continental do planeta Terra está sob medidas de conservação ambiental, o que representa mais de 20 milhões de quilômetros quadrados — ou quase duas vezes a extensão territorial do Canadá. Áreas de proteção também já cobrem mais de 7% dos oceanos — em torno de 27 milhões de km2. Os números foram divulgados em novembro pela ONU Meio Ambiente, em pesquisa que avalia o cumprimento de objetivos internacionais sobre biodiversidade.

Pinguins-de-adélia na Ilha Paulet, na Antártica. Foto: Flickr (CC)/Scott Ableman
Pinguins-de-adélia na Ilha Paulet, na Antártica. Foto: Flickr (CC)/Scott Ableman

Em torno de 15% da superfície continental do planeta Terra está sob medidas de conservação ambiental, o que representa mais de 20 milhões de quilômetros quadrados — ou quase duas vezes a extensão territorial do Canadá. Áreas de proteção também já cobrem mais de 7% dos oceanos — em torno de 27 milhões de km2. Os números foram divulgados em novembro pela ONU Meio Ambiente, em pesquisa que avalia o cumprimento de objetivos internacionais sobre biodiversidade.

A nova edição do relatório Planeta Protegido revela um aumento de 0,2% das áreas de proteção continentais e de 3,2% em unidades marinhas desde 2016, quando a última versão do levantamento foi divulgada. A pesquisa consolidada cobre dados até julho de 2018, mas estatísticas mais recentes estão disponíveis numa plataforma online que é atualizada mensalmente, com a inscrição de novas zonas sob esforços de conservação.

Uma das reservas incluídas na análise foi a região do Mar de Ross, considerada a maior área protegida do planeta, com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados. Com o estabelecimento desse perímetro, a pesca foi proibia em aproximadamente 700 mil km2 dessa reserva na Antártica. A criação da unidade de conservação tem por objetivo preservar mais de 16 mil espécies, incluindo o Pinguim-de-adélia e a Baleia-Minke-antártica. A faixa territorial é gerida pelos governos da Nova Zelândia e dos Estados Unidos.

Em 2010, países adotaram as Metas de Aichi, um conjunto de compromissos para proteger e promover o uso sustentável da riqueza biológica da natureza. A meta 11 prevê que, até 2020, 17% das terras continentais e 10% das zonas costeiras marinhas de todo o mundo estejam resguardadas por mecanismos de gestão ambientalmente responsáveis.

Com os atuais números bem próximos do previsto por esse objetivo, as Nações Unidas veem com otimismo o cumprimento da agenda de Aichi. Neville Ash, diretor do Centro Mundial de Monitoramento da Conservação, da ONU Meio Ambiente, afirma que o crescimento contínuo de áreas protegias “é essencial” para o futuro da biodiversidade.

“Em particular, os grandes aumentos na proteção do ambiente marinho ao longo dos últimos dois anos terá um papel fundamental na restauração da saúde do oceano, e isso se deve a uma forte colaboração entre países, organizações não governamentais e organizações internacionais”, avalia o especialista.

Ash ressalta, porém, que é preciso garantir recursos para as unidades de proteção. Outra importante medida é combater as ameaças que a biodiversidade enfrenta dentro e fora dessas áreas.

Para o diretor do Programa Global de Áreas Protegidas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), uma das brechas nas conquistas rumo à meta 11 é “a necessidade de reconhecer plenamente e apoiar os esforços feitos por povos indígenas e comunidades locais, bem como por atores privados, que conservam áreas críticas”.

Na avaliação de Jonathan Baillie, vice-presidente-executivo e cientista-chefe da Sociedade National Geographic, o progresso tem sido encorajador, “mas se quisermos proteger a vida na Terra, temos que aumentar massivamente a nossa ambição”.

A organização e a IUCN trabalham em parceria com a ONU Meio Ambiente na produção do relatório Planeta Protegido e na manutenção da plataforma online. Com a pesquisa, a Sociedade National Geographic busca celebrar nações que assumem a liderança na defesa de um planeta saudável.

Fonte: ONU


Créditos: Ambiente Brasil