Aquecimento global pode matar ursos polares de fome, diz estudo

Urso é avistado morrendo de inanição em ilha do Ártico canadense (Foto: Reprodução / Paul Nicklen)
URSO É AVISTADO MORRENDO DE INANIÇÃO EM ILHA DO ÁRTICO CANADENSE (FOTO: REPRODUÇÃO / PAUL NICKLEN)

A comida que alimenta a existência dos ursos polares há anos pode acabar, e com ela, a própria espécie corre o risco de desaparecer. Tudo graças, é claro, às mudanças climáticas, de acordo com estudo.

No passado, quando as temperaturas subiram e derreteram o gelo do mar Ártico, os cientistas acreditam que as criaturas sobreviveram revirando carcaças de baleias até que o gelo retornasse e eles pudessem caçar as focas novamente. No entanto, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concluiu que os verões sem gelo poderiam começar a ocorrer novamente dentro de décadas.

“Se a taxa de perda e aquecimento do gelo marinho continuar inalterada, o que vai acontecer com o habitat dos ursos polares excederá qualquer coisa documentada nos últimos milhões de anos”, disse Kristin Laidre, bióloga marinha da Universidade de Washington, ao Independent. “O ritmo extremamente rápido dessa mudança torna quase impossível para nós usar a história para prever o futuro”.

Os cientistas esperam que haja um verão no Ártico sem gelo até 2040  se o aquecimento continuar no ritmo atual. Os ursos polares precisam do gelo porque lhes fornece uma plataforma para caçar focas. Se os verões sem gelo se tornarem uma ocorrência regular – o que é previsto no relatório do IPCC se o aquecimento exceder 2ºC, o Laidre e seus colegas disseram que é improvável que as carcaças de baleias salvem os ursos.

Se por um lado, analisando os ciclos naturais de resfriamento e aquecimento na história da Terra, os pesquisadores notaram que a taxa atual de perda de gelo supera qualquer coisa que os ursos tenham experimentado antes, em consequência da ação da humanidade.

Por outro, foram séculos de caça à baleia, perfuração de petróleo e navegação na região do Ártico e as baleias não são nem de longe tão abundantes quanto durante o último período “interglacial”, quando a temperatura subiu. Um número menor de baleias significa menos carcaças para capturar e isso deixa os ursos vulneráveis, com risco de extinção, à medida que o suprimento alimentar de emergência se reduz.

Com um valor nutricional equivalente a mais de mil focas, as grandes baleias têm a capacidade de sustentar ursos por meses ou até anos – tornando-as perfeitas para ver as estações quentes de verão. A análise das dietas dos ursos polares e composição de proteína e gordura de baleia sugeriu que, durante os meses de verão, uma população hipotética de mil ursos polares precisaria comer cerca de oito baleias.

No entanto, particularmente em áreas onde as baleias não são tão comuns como a ilha de Svalbard, no extremo norte da Noruega, os cientistas prevêem que os encalhamentos não irão sustentar os ursos locais. “As mudanças ambientais são muito grandes e as carcaças de baleias são muito poucas”, disse Laidre.

Fonte: Revista Galileu


Créditos: Ambiente Brasil