Após superar ondas de 12 metros, cientistas encerram aventura na Antártida

Paisagem da Bahía Paraíso, na Antártida. EFE/ Claudia Kielkopf
Paisagem da Bahía Paraíso, na Antártida. EFE/ Claudia Kielkopf

O grupo de 80 mulheres de diversas áreas científicas de todo o mundo terminará amanhã a travessia pela Antártida, onde, além de conhecer um dos lugares mais belos do mundo, se reuniu para analisar o poder da liderança feminina em assuntos de interesse global.

Um dia depois de cruzarem a Passagem de Drake, que provocou ondas até de 12 metros, com ventos de até 130 quilômetros por hora, o grupo se prepara hoje para regressar à América do Sul.

“O que não nos sai da cabeça é a noite que passamos na Passagem de Drake, que, como sabemos, tem as águas mais tenebrosas do mundo, e sobrevivemos a ondas de 12 metros de altura graças ao bom trabalho do capitão e da equipe navegadora”, disse nesta sexta-feira à Agência Efe Christiana Figueres, Christiana Figueres, importante líder costa-riquenha na luta contra a mudança climática e que foi secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), da Organização das Nações Unidas, de 2010 a 2016.

O percurso, que começou em 31 de dezembro, com mulheres de 35 nacionalidades, no porto da cidade argentina de Ushuaia, constitui o evento de fechamento da terceira edição do programa australiano de liderança feminina Homeward Bound, apoiado pela empresa espanhola de infraestrutura e energias renováveis Acciona.

“Foi uma oportunidade de compartilhar com mulheres de três gerações, todas unidas por uma só causa: como usar o conhecimento científico que cada uma tem para nutrir a sua liderança e o seu impacto sobre o planeta”, disse Christiana, também coordenadora da Missão 2020, que procura que o mundo reduza a curva de emissões de gases causadores do efeito estufa para este ano.

Fabian Dattner, fundadora da iniciativa, considera que esta viagem se emoldurou perfeitamente no projeto global que dirige, destinado a mulheres do campo de STEMM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Matemática e Medicina) visando aumentar a sua visibilidade como líderes no mundo.

Daí que, durante o trajeto, além de visitar lugares emblemáticos do continente, a organização realizou jornadas intensas para promover a visibilidade das mulheres e o seu papel estratégico para enfrentar assuntos globais como a mudança climática.

Para Christiana, a experiência dos últimos 18 dias na Antártida foi uma grande alegria.

“Tivemos a oportunidade de conviver com estas montanhas, com esse gelo, com um oceano tão espetacular, com os animais que estão aqui na Antártida”, enumerou.

De acordo com os organizadores da expedição, o objetivo do programa é criar uma rede internacional de mil mulheres interessadas na luta contra a mudança climática em um prazo de dez anos, para que trabalhem juntas em projetos de diversos campos.

Uma destas mulheres é Daisy Hessenberger, australiana de 27 anos, especialista em Genética e integrante da União Internacional para a Conservação da Natureza, que afirmou que a experiência teve muitos momentos de reflexão e também de diversão.

“A experiência neste navio foi uma oportunidade de crescimento, mas com muitas turbulências e altos e baixos. Um dos melhores momentos para mim foi falar com Christiana, ela esteve trabalhando no seu campo por muito tempo e eu estou apenas começando”, contou ela, que acrescentou que a viagem fez com que ela mudasse totalmente e agora tem mais claro o que quer fazer da vida.

A expedição Homeward Bound partiu 31 de dezembro do Ushuaia, considerada a cidade mais ao sul do planeta, e percorreu a passagem de Drake, a base argentina Carlini, Ilha Paulet e a estação americana Palmer.

Diana Marcela Tinjacá.

Fonte: Agência EFE


Créditos: Ambiente Brasil

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