Agência da ONU alerta para janeiro de ‘extremos’ climáticos no planeta

Janeiro foi “um mês de extremos” climáticos, afirmou na sexta-feira (1º) a Organização Meteorológica Mundial (OMM), com recordes de frio e calor em diferentes partes do mundo. Na América do Norte, Europa e Oriente Médio, um inverno rigoroso levou a picos de precipitação de neve, ao passo que, na América do Sul e na Austrália, os termômetros ultrapassaram os 40 °C em regiões pouco habituadas a temperaturas tão altas.

À direita, o Vórtice Polar fotografado pelo astronauta Scott Kelly, da Estação Espacial Internacional. Foto: Flickr (CC)/NASA
À direita, o Vórtice Polar fotografado pelo astronauta Scott Kelly, da Estação Espacial Internacional. Foto: Flickr (CC)/NASA

Janeiro foi “um mês de extremos” climáticos, afirmou na sexta-feira (1º) a Organização Meteorológica Mundial (OMM), com recordes de frio e calor em diferentes partes do mundo. Na América do Norte, Europa e Oriente Médio, um inverno rigoroso levou a picos de precipitação de neve, ao passo que, na América do Sul e na Austrália, os termômetros ultrapassaram os 40 °C em regiões pouco habituadas a temperaturas tão altas.

No sul do Minnesota, nos Estados Unidos, como consequência dos ventos que agravam a sensação de frio, termômetros chegaram a marcar quase 54 °C negativos. O recorde nacional de frio foi estimado em -48,9 °C. A América do Norte testemunhou quedas incomuns de temperatura devido ao chamado vórtice polar — uma faixa de ar do Ártico que se deslocou para o sul e atingiu o continente norte-americano.

“Perturbações nas correntes atmosféricas e a intrusão de massas de ar mais quentes, de latitudes médias, podem alterar a estrutura e a dinâmica do Vórtice Polar, mandando o ar do Ártico para as latitudes médias e trazendo ar mais quente para o Ártico. Esse não é um fenômeno novo, embora haja pesquisas crescentes sobre como ele está sendo impactado pelas mudanças climáticas”, disse a OMM.

Os céticos em relação às transformações do clima devem tomar cuidado antes de usar o frio extremo como justificativa para rejeitar o aumento das temperaturas devido ao aquecimento global ou devido às emissões crescentes de gás carbônico. “O clima frio no leste dos Estados Unidos certamente não refuta as mudanças climáticas”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

“No geral, e em nível global, houve um declínio em novos recordes de temperaturas frias como resultado do aquecimento global. Mas temperaturas gélidas e a neve continuam a fazer parte dos nossos padrões climáticos típicos no inverno do hemisfério norte. Precisamos distinguir entre o clima diário no curto prazo e o clima no longo prazo”, acrescentou o dirigente.

Enquanto a porção oriental do território estadunidense e partes do Canadá registram temperaturas abaixo de zero inéditas, o Alasca e outras grandes partes do Ártico estão mais quentes do que as médias para essa época do ano.

Em janeiro, tempestades de inverno severas também atingiram o leste do Mediterrâneo e partes do Oriente Médio, o que afetou severamente populações que não têm moradia adequada, como os refugiados.

Uma frente fria na terceira semana de janeiro varreu o sul da Península Arábica, trazendo uma tempestade de poeira do Egito para a Arábia Saudita, Barein, Qatar, Irã e os Emirados Árabes Unidos. O fenômeno também levou chuvas densas para o Paquistão e o noroeste da Índia.

Recordes de calor

Já na Austrália, o pico foi de calor, com o janeiro mais quente em toda a história de registros. No país, ondas de calor tiveram duração e intensidade inéditos, começando em princípios de dezembro e se estendendo pelo mês passado, segundo autoridades meteorológicas locais. A cidade de Adelaide bateu um novo recorde de temperatura máxima, alcançando os 46,6 °C em 24 de janeiro. O volume nacional de chuvas diminuiu 38% em janeiro.

De acordo com o Escritório de Meteorologia da Austrália, o país tem visto aumentos anuais da temperatura média, que são consistentes com as tendências globais. As ondas de calor durante o verão estão se tornando mais intensas, prolongadas e frequentes como resultado das mudanças climáticas.

Na América do Sul, o Chile também teve recordes de calor derrubados pela alta das temperaturas — a capital Santiago registrou um pico sem precedentes de 38,3 °C em 26 de janeiro. Em outras partes da região central do território chileno, os índices ultrapassaram os 40 °C.

A Argentina também foi atingida por uma onda de calor, que gerou alertas em diferentes localidades. No norte do país e em regiões vizinhas no Paraguai, Uruguai e Brasil, ocorreram enchentes extensas, com precipitações bem acima dos volumes previstos. Em 8 de janeiro, a cidade argentina de Resistência registrou 224 mm de chuva, estabelecendo um novo recorde pluviométrico para um único dia — o valor é bem acima do último recorde, os 206 mm documentados em janeiro de 1994.

Neve

Partes dos Alpes Europeus foram palco de quedas recordes de neve. Em Hochfilzen, na região de Tirol, na Áustria, mais de 451 cm de neve se precipitaram sobre a cidade nos primeiros 15 dias de janeiro — esse volume só é esperado, estatisticamente, uma vez a cada século.

Na sexta-feira passada, na Suíça, funcionários do Escritório da ONU em Genebra foram aconselhados a deixar o trabalho mais cedo devido à falta de visibilidade provocada pela queda de neve.

O Serviço Climático Alemão já emitiu os mais elevados alarmes sobre a neve e condições meteorológicas associadas ao inverno. Projeções mostram que a precipitação de inverno na Alemanha deve ser mais intensa em 2019.

O Departamento Meteorológico Indiano alertou em 21 de janeiro para quedas de chuva e neve pesadas ou muito pesadas em Jammu, Caxemira e Himachal Pradesh, com avisos de avalanches em meio a uma frente fria intensa.

Fonte: ONU

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